Os beatlemaníacos do Brás

A revolução dos Beatles ocorreu nos anos 60, mas esta revolução musical e mexeu com o comportamento social dos jovens daquela geração e através da música de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, as portas foram abertas para muitos músicos e compositores ingleses e do mundo.

Apesar da banda mais popular de todos os tempos ter se separado em 1970, nos anos 70, principalmente e seguintes, a música dos Beatles continuou sendo tocada e influenciando vários músicos e compositores e agrada muitas pessoas, pois eles não ficaram num só estilo, fizeram rock and roll, rock, blues, jazz, country, baladas pops, boleros, música oriental com cítara da India, música clássica (erudita) e rock psicodélico e progressivo.

Portanto, foi a banda mais eclética e criativa de todos os tempos, cada disco que lançava era uma novidade sonora e com muitas variações.

Eu e muitos jovens ficamos encantados com a musicalidade deles e passamos a comprar os discos e curti-los diariamente, eu, em particular, comprei todos os discos, ou gravei em fitas, tocavas as músicas em meu violão ou guitarra e é claro, os amigos frequentavam o meu apartamento, no prédio de esquina da Avenida Rangel Pestana com a Rua Professor Batista de Andrade, para ouvir as músicas e conversarmos sobre a banda ou algo relativo a ela.

Eu era um beatlemaníaco e existiam outros também no Brás, e eu acabei influenciando o meu amigo João Henrique de Almendro (Rua Professor Batista de Andrade), que passou a gostar muito também deles e tocávamos em nossos violões aquelas fabulosas canções.

Os meus amigos, como o Giba, que também gostava, conhecia muito mais pessoas no bairro do que eu, e passou a apresentar muita gente e alguns beatlemaníacos também.

Alguns deles eram comentados, como o José Carlos, que residia numa rua estreita, travessa da Rua Muller, atrás de onde hoje fica a Caixa Econômica Federal no Largo da Concórdia, mas eu só fui conhecê-lo em 1976, nem me lembro como e passei a frequentar a casa dele algumas vezes, pois ele também possuía, não só a coleção dos Beatles, mas diversos discos importados de rock e rock progressivo e alguns eu aproveitava a ocasião e gravava.

O Silvio, que residia numa casa em frente ao SENAI, na Rua Monsenhor de Andrade e que em certa ocasião foi atropelado na Rangel Pestana em frente à Rua Monteiro, também era um fanático e trocávamos alguns papos.

Alguns chegaram a comentar de um carinha, que provavelmente residia na região da Rua Assunção ou Rua do Lucas, também era um fanático pelos Beatles e que também tocava violão, e segundo um ou outro, ele teve a oportunidade de ir para a Inglaterra e viu o Ringo Starr.

Eu creio que devo tê-lo visto em certa ocasião, provavelmente num domingo de abril de 1975, por volta das 14 horas, na Rua Monsenhor de Andrade, ao lado da entrada do salão de festas da Igreja do Brás, com uma garota e um outro carinha, e ele estava tocando violão e cantando "A Little Help From My Friend" do disco “Sgt. Pepper's” e o vocal principal era com o Ringo Starr, mas a composição é de Lennon & McCartney.

Eu estava passando na outra calçada da rua indo para a Gasômetro, pois esta a caminho de me encontrar com os amigos na casa do Ricardo e Liberal Carraro, na Rua Correia de Andrade, e confesso que quase fui lá falar com eles e trocar umas idéias e talvez mostrar alguma coisa que eu tocada no violão, mas me senti um pouco envergonhado e a minha timidez não permitiu tal ousadia.

Havia também o Mario Shimine, um filho de japonês, bem cabeludo, que morava na Vila Maria, próximo da Rua da Gávea, este constantemente comparecia em meu apartamento para ouvir aquelas belas canções.

Com o passar do tempo fomos nos afastando, e com caminhos diversificados pelas necessidades da vida acabamos não nos vendo mais. Porém quando o genial John Lennon foi assassinado em dezembro de 1980, alguns amigos e este Mario Shimine, que faziam uns três ou quatro anos que não nos víamos, ligaram para saber como é que eu estava com tal fato ocorrido.

Eu simplesmente, fiquei tão chateado, na época eu já residia na Rua Carneiro Leão, que fiquei por quase vinte anos sem tocar seriamente o meu violão, vendi a guitarra e o outro violão eu dei de presente para um vizinho, somente voltei a tocar por volta de 2000, por causa do meu filho que é autista e adora música, principalmente os Beatles, que o faz ficar sorridente.

O sonho acabou, mas a vida continua e esta banda ficou imortalizada, assim como Beethoven, Bach, Mozart e outros grandes compositores também.

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