Lendo os textos natalinos dos queridos novos amigos deste site, puxei pela minha memória algo que marcasse a minha infância.
Posso afirmar que fui agraciada com uma mãe que curtia esta data. A árvore tinha que ser de verdade, pois apreciava o cheiro que exalava pela casa o tal arbusto. Os enfeites variavam de ano para ano.
Lembro de uma decoração em especial, quando ela resolveu, com muita criatividade acrescentar carinhas de Papai Noel de caroço de manga. Avisava a prole que após saborear tais frutas, deveríamos colocar os caroços melequentos em uma tigela com água que mantinha na pia. O processo seguinte consistia em lavar bem com uma escovinha para tirar todo o resíduo da fruta, deixar secar, raspar o espaço em que seria desenhada a carinha do Papai Noel, colar o boné vermelho enfeitado com algodão e pronto: estava lá a arte pendurada com cordão dourado. A nós, criançada ficava a divertida tarefa de adivinhar quais daqueles caroços de Papai Noel, ou seria Papai Noel em forma de caroço, seria o nosso. Bem, o importante era apenas a diversão em si.
Em outro ano, me lembro que resolvi tirar a limpo se o bom velhinho existia ou não. Comemorávamos apenas no dia seguinte, quando acordávamos e íamos averiguar o que nos fora dado. Bom, nessa véspera, após apagar a luz para o justo repouso, resolvi ficar acordada e confirmar minha cisma. O tempo foi passando, o olho pesando, e não sei em que momento tudo se apagou, quando despertei o dia já claro corri para a árvore de natal e lá estava, como sempre, os presentes para cada um dos filhos. Prometi a mim mesma que não dormiria da próxima vez, e que no ano que vem… E este ano chegou, e com pesar a magia da espera se foi.
O bom foi que mesmo depois de adultos, minha mãe sempre fez questão de continuar a criar enfeites natalinos originais.
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