O transporte coletivo nas regiões norte, sul e oeste, onde sempre morei e moro até hoje, era feito exclusivamente por meio de bondes. Não havia ônibus. Haviam jardineiras (um tipo de ônibus menor), que apanhava as pessoas nos pontos finais dos bondes e as levavam até as extremidades da cidade, com percurso sempre inferior a dez quilômetros, pois a cidade era, talvez, um décimo do que é hoje.
Da Praça do Correio, hoje parte do Vale do Anhangabaú, saíam os bondes Barra Funda, Campos Elíseos, Lapa, Perdizes e Pompéia. Todos vinham pela Avenida São João, na Praça Antônio Prado o Campos Elíseos seguia pela Alameda Barão de Limeira, na Alameda Glete entrava o Barra Funda, no Largo Padre Péricles o Perdizes subia a Rua Cardoso de Almeida e os Pompéia e Lapa, seguiam pela Avenida Água Branca (hoje Francisco Matarazzo). O Pompéia, seguia até o Largo Pompéia, de onde retornava e o Lapa, seguia pela Rua Guiacurus até atingir a Rua Alegria (hoje Doutor Cincinato Pomponet), fazia o contorno no primeiro quarteirão da Rua 12 de Outubro, voltando para o sentido centro.
Do Largo São Bento, saiam os bondes, Bom Retiro, Santana, Luz e Canindé. Da Praça da Sé, saíam Penha, Bresser, Braz, Moóca e Belém. Da Praça João Mendes, saíam Domingos de Moraes, Vila Mariana, Paraíso, Ipiranga, Cambuci e Vila Monumento. Da Praça Ramos de Azevedo, saíam Pinheiros, Sumaré, Jardim Europa e Jardim América.
Haviam três tipos de bondes; o camarão, um mini vagão, todo fechado, onde não era permitido viajar em pé e servia os bairros mais nobres; o comum, todo aberto, transportava por volta de cem passageiros sentados e quantos couberem em pé e um terceiro, menor, mais popular, cuja passagem custava muito menos que nos outros.
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