São Paulo e minha mãe

Dia 01/09/2010, mãe comemorou seus 85 anos. Grande parte de desses anos todos foram passados em uma São Paulo que eu adoraria ter presenciado.

Minha mãe chegou a essa grandiosa cidade na década de 30, logo após a Revolução de 1932. Desceu na Estação da Luz ainda menina, indo morar em uma casa de cômodos nas Perdizes, para ser mais exato, na Rua Monte Alegre.

Na época, esta região era povoada por chácaras, em sua maioria, de portugueses.

Conheceu São Paulo em seus tempos de ruas de terra, frequentou a Rádio Tupy nos altos do Sumaré e o Cemintério de Araçá. Tudo era tão simples, sem a imponência que São Paulo apresenta nos dias de hoje.

Minha mãe via os lampiões de gás nas ruas, com todo seus charmes. Acompanhou a construção do Estádio do Pacaembu, o qual era chamado de Pirambeira pelas pessoas da redondeza…

Na década de 50, sua família mudou-se para Itaquera, mais precisamente, para o Morro do Querosene. Itaquera não possuía luz elétrica e o único luxo, digamos assim, era o trem. O trem era a famosa maria-fumaça que serpenteava pelos campos ainda selvagens.

Ainda existia a Fazendo do Carmo, que hoje é o parque que leva o mesmo nome. As pedras que estão nos alicerces da Catedral da Sé e do Obelisco eram trazidas até a estação por um vagonete que saia da pedreira em direção à estação de trem.

Além disso, minha querida mãe trabalhou na plantação de eucaliptos das terras da companhia; e também, como quase a totalidade dos paulistanos naqueles tempos, trabalhou nas indústrias reunidas na Francisco Matarazzo.

Minha mãe e seus oitenta e cinco anos ajudaram e fizeram parte da história desta gigante chamada São Paulo.

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