Romance no Metrô Vila Madalena

Eram 07h45min. Todos os dias a cena se repetia. O carro para na esquina, em frente ao metrô Vila Madalena, e desce o rapaz, não tão rapaz… Anda para lá, anda para cá, olha no relógio, procura alguém entre as pessoas que vêm e vão, fixa os olhos na estação do metrô e recomeça… Anda para cá, anda para lá, olha no relógio, procura alguém entre as pessoas que vêm e vão, fixa os olhos na estação do metrô e recomeça…

A ansiedade é tão grande que é impossível não ser contagiada por ela. Já são quase oito horas e o ônibus que segue para a Cidade Universitária ainda não chegou, aliás, ele não tem hora certa para chegar ao terminal. Mesmo sem querer, participo daquele ritual, e não consigo prestar atenção à minha leitura, somente observo e observo…

De repente o rosto do homem se ilumina e, então, o rapaz anda apressado, anda cada vez mais rápido em direção ao terminal e se encontra com ela, com a moça, não tão moça…

Entram no carro, se entrelaçam num longo beijo. Ele liga o carro e lá se vão. Ela nunca saberá a intensidade da paixão que desperta em seu amado a ponto de cada minuto representar horas de espera…

Há dias não os vejo e me incomoda não poder contar o fim desta história. Estarão juntos e felizes, ou já não se vêem mais?

São Paulo é assim… Os romances podem fazer parte da paisagem, podem ser declarados, secretos, proibidos, exibidos ou misteriosos… Todos se encaixam em um contexto. Porém, ao contrário do que ocorre em pequenas cidades, nunca mais saberei por onde anda aquele casal.

Os romances se perdem em meio à agitação da cidade e os jornais não noticiam os encontros e desencontros da vida. Neste gigante que é São Paulo, há corações ardentes de paixão, de coragem, de alegria, que pulsam e dão vida a prédios, avenidas, vias expressas, elevados e viadutos.

Tantas histórias poderiam ser contadas da Estação de Vila Madalena e de outras da Linha Verde, Lilás, Azul e Vermelha, que formam a rede do metrô… Histórias que dão cor ao cinza do cimento, ao cinza do asfalto, ao cinza da poluição. Histórias que florescem como bromélias em meio às pedras.

Nas cenas do cotidiano estão a graça e a beleza da vida, as cenas que desfilam diante de nossos olhos desacostumados a contemplar o imponderável…

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