De bonde para o Corinthians

Em 1966 minha mãe comprou o título familiar do Corinthians, e eu ia aos sábados para o clube, com minha irmã de criação, Suely. Era, e ainda é, uma bonita mocinha, mais velha do que eu 4 anos; portanto tinha eu 15 anos e ela 19 anos, chamavam-na de Marta Rocha, pois era morena clara, de olhos verdes, e assim tomávamos o BONDE na Rangel Pestana e descia na porta do Clube.

Isso era rotineiro, mas a Suely, muito cobiçada, vestia seu maiô verde esmeralda com detalhe dourado em seu decote, pois naquela época não era permitido usar duas peças. Biquíni? Nem se falava, mas como sempre, nossa mãe preparava o nosso lanche. Éramos regradas, minha mãe não nos dava dinheiro nenhum, a não ser da condução. Então a gente levava um pedaço de pão da bengala, com um pedaço de "tortilla" (batatas fritas com ovo por cima); seria uma omelete hoje, e uma garrafa de guaraná cheia de limonada.

É obvio que comíamos no vestuário, já pensou? Todos comiam petiscos deliciosos, e nós? Aquele baita “pãozão”… Aí, já satisfeitas, passeávamos pelo clube; em busca de quê? Eu não sabia, mas a Suely estava flertando com um jovem rapaz de seus 30 anos, de nome Edgar, e era muito popular. Para se aparecer, me pediu "vou comprar um maço de cigarros (continental sem filtro) com o dinheiro do bonde, e a gente sai mais cedo e vai a pé. Eu discordei. Do Tatuapé até o Brás era uma reta, mas era longe, já estava queimada do sol, pois era como meu nome Branca Rosa, já pensou???

Mas diante da insistência e se era para ela conquistar o Edgar, concordei. Aí, conversa vai, conversa vem, eu comecei a chamá-la "vamos embora, vamos”, ela estava tão entusiasmada com o galã, que iriam dar um mergulho na piscina olímpica e depois iríamos embora. Pensei: por certo o rapaz tem um carro, ela não esta preocupada, nosso horário para estar em casa era 16h e já eram 15h. Bom, entramos todos nas dependências da piscina e ela, mui linda, “tchibum” na água com o rapaz e eu só olhava; não sabia nadar, quando olho para a água, era só NICOTINA, ela tinha posto o maço de cigarros no peito e esquecera.

Conclusão? Foi suspensa do clube por 3 (três domingos, se não me engano); fomos a pé para a casa, chegamos 19h30, aí foi feio, como explicar? Não se usava telefone, pois ninguém possuía, só rico. A nossa mãe, a espanhola D.Carmen (minha mãe de criação) nos deu um corretivo, mas eu “cagoetei” a Marta Rocha…

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