Conheci, na minha infância e juventude, alguns personagens marcantes na história do Bixiga e, para que fiquem registrados na rica memória do bairro, deixo aqui algumas impressões sobre os mesmos e um pouco da minha saudade. Carmela Luzzo, dona de um bar logo na descida da Almirante Marques de Leão, simpática e sorridente, recebeu muitas vezes, em seu estabelecimento, muitos cantores. Entre eles: Adorinan Barbosa.
Clementina Barletta Monte, sempre de avental, preparando quitutes, uma das maiores fãs da escola de samba Vai-vai, não perdia um desfile. Augustinho Luzzo, sapateiro no bairro, um dos comandantes do time Heróis Brasil, famoso e folclórico em todo o Bixiga, gostava muito de cantar em italiano e detestava que seu time perdesse.
José Rodrigues, chamado de Zeca Louco, pois descia a cavalo em uma vila, ainda existente na Rua Almirante. Orlando, barbeiro, todos os sábados, domingos e feriados, lá estava ele, cortando cabelos e fazendo barbas na Rua Almirante. Seu Tito, alfaiate, de fala mansa e calma sem igual, atendia os clientes em domicílio.
Belizzi, os padeiros, acordavam bem cedo para atender a freguesia da Rua Almirante. Pascoal Coffoni Luzzo andava sempre de terno claro, usava um fino bigode, chapéu e adorava contar causos. Assunta Luzzo viveu um centenário na Bela Vista, andava vestida à italiana: lenço amarrado na cabeça, saias compridas, meias e chinelinhos fechados; adorava tomar chás durante a tarde.
Vicentão de Rozza, destaque no time Heróis Brasil por seu belo porte, funcionava muitas vezes, como juíz do time. Dona Paquita, lavadeira espanhola, adorava conversar e carregava as trouxas de roupa na cabeça. Engraçada, ostentava sempre um coque como penteado. Pedrinho Coffoni não perdia os ensaios da Vai-vai e distribuía brinquedos para a criançada das vilas do Bixiga, no final do ano.
Marianinha, a modista, confeccionava os mais lindos vestidos de noiva do bairro, nas décadas de 50 e 60. Armandinho Pugliese, criador do Museu do Bixiga, autor de livro sobre o bairro e personagem carismático nas festas italianas, principalmente as de N.S. Achiroppita. Incentivador da preservação da memória da Bela Vista.
Miguelzinho Coffoni, franzino, bondoso, de excelente memória e inúmeras amizades, concedeu várias entrevistas sobre a história do Bixiga. E por aqui vou ficando, relembrando outros personagens que certamente, em outros relatos e histórias, irão surgir.
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