Dentre as várias atividades que se manifestaram nos primeiros decênios após o fim da Segunda Guerra Mundial, (1940-1945), destacamos as iniciativas de oriundos que, atraídos pela exuberância de São Paulo, introduzem seus conhecimentos e suas experiências, (às vezes, sem nenhuma das duas) em atividades as mais diversas. Na maioria das tentativas, o êxito não é alcançado.
São Paulo, 1949
Na contramão desses resultados negativos, geralmente estimulados por ocorrências independentes de sua vontade, levam certas pessoas, com sentido de observação mais apurada, a reagir diante de fatores que, aparentemente, não tem nenhum significado.
Na preocupação de enveredar por novos segmentos, o jovem Gaetano de Marino, 22 anos, natural de Castelnuovo Cilento, Província di Salerno, morando na rua Catumbi (Belenzinho) com sua esposa Attilia, tenta a carreira como vendedor do Matarazzo.
Em certa ocasião, prepara pequena quantidade de fuzilli, massa fresca, longa que exige uma pequena vareta de aço, quadrada, de dois ou três milímetros de parede com 20 a 30 centímetros de comprimentos. A massa é enrolada em torno da vareta, resultando um macarrão comprido, com orifício, permitindo a entrada de molho de tomate, no preparo do prato. Uma verdadeira delícia.
Esse ensaio chega a um proprietário de cantina que fica encantado com o prato. Contrata Gaetano e o casal se entusiasma em produzir mais, não só pra cantinas e restaurantes, mas também pra consumo doméstico. Abandona o emprego no Matarazzo e junto com Attilia, produzem e crescem, sempre na forma artesanal, abrindo uma pequena loja na Rafael de Barros.
No princípio dos anos 60, conhece aquele que seria seu sócio, Vincenzo Pace, sócio do Laticínio Argenzio, na Praça da Sé. Em 1962 fundam o Pastifício Romanini. No começo, com apenas sete funcionários, adquirindo novas máquinas e sempre crescendo dentro de um primor de qualidade, num campo competitivo como é o dos produtos alimentícios. Instalados na Avenida 11 de Junho, na Vila Clementino, pra anos depois se transferirem pra Diadema, numa grande área de 11 mil metros quadrados.
No auge da grande produção e qualidade, Gaetano sempre fez questão de destacar, além de sua esposa, Attilia Palazzo de Marino, hoje falecida, seu sócio Vincenzo e seus colaboradores Otelo Gentileza e Francesco Nigriello, também falecidos, como partícipes da grandeza e do nível alcançado pelo Pastifício Romanini.
Casado em segunda núpcias com Irene Belik, Psicóloga, Gaetano vive uma merecida aposentadoria aos 83 anos, com quatro filhos, cinco netos e três bisnetos
Um exemplo de obstinação e dedicação, nunca faltando a seus princípios básicos de rigor na obtenção de resultados sempre melhores, Gaetano e Vincenzo merecem ser lembrados como empresários que dignificam a cidade de São Paulo que os acolheu, deu-lhes oportunidade que eles souberam, como poucos, aproveitar.
Por motivos puramente de fórum íntimos, o Romanini é vendida a Adria, antiga indústria de massas alimentícias, apagando o nome Romanini paulatinamente, mas não o prestígio que o mesmo adquiriu por muitos anos.