E termina o espetáculo. Neste 08 de junho de 2006, morreu Fiori Giglioti. O melhor narrador esportivo do Brasil de todos os tempos; o narrador de São Paulo por excelência. Nasceu em Barra Bonita, uns diziam que ele era palmeirense, outros que era corinthiano, eu penso que era santista, mas o que ele era mesmo era uma festa! Ninguém empolgava tanto o torcedor. Lembro-me de tantas tardes de domingo ao som do rádio: "Abrem-se as cortinas", "o moço de Batatais", "Gilmar em sua cidadela" e tantas outras citações que faziam a torcida ferver. Há coisas que ficam na memória de uma forma latente e uma destas coisas, que me traz à lembrança o Fiori, foi um passeio que fizemos há anos à Aparecida do Norte. Na volta, 16h30 mais ou menos, pela Via Dutra, cansados, ouvíamos o jogo. Santos e Palmeiras.
Era o maior clássico do futebol brasileiro e prendia a atenção de todos. As imagens no entorno da estrada eram belas, mas não conseguiam suplantar as imagens criadas pelo narrador e então, era como se estivéssemos em pleno Pacaembu.
Bola com Pelé, para Dorval, para Coutinho, para Pelé. Do outro lado, do lado deles, Ademir e Dudu; Dudu e Ademir. Ao entrarmos em São Paulo (fria, úmida, cinzenta……..linda) o Santos vencia por 2 a 0. Nas avenidas, poucos carros. Nos bares, pessoas conversavam. Cruzávamos a cidade sentido norte/sul embalados pela vitória e Fiori, magistral, declamava "cadeia verde e amarela norte/sul do Brasil, fecham-se as cortinas e termina o grande espetáculo". Eu era só um garotinho; o Brasil ainda era singelo, ou penso que era. Acho que tudo tinha mais cor e mais sabor, certas coisas deixaram de ter, mas Fiori não. O colorido que ele emprestou ao futebol nunca irá se apagar. Terminou o espetáculo, mas o sonho não. Esse não morre.