Quando li a belíssima crônica do João Cláudio Capasso, “O bonde Avenida Angélica”, confesso que fiquei extasiado lembrando dos tempos em que o bonde era o grande meio de locomoção dos paulistanos que moravam lá pelas bandas da zona sul, e aí fiquei pensando no Sr. Pedro, um "motorneiro" que a todos conhecia, e todos faziam questão de cumprimentá-lo. Era de fato extremamente simpático. Quando chovia e sua visão ficava comprometida pela água da chuva "seu" Pedro descia do bonde, desmanchava um cigarro de seu maço e esfregava o fumo por todo o vidro e dizia que a gordura contida no tabaco fazia com que a água escorresse mais rápido do vidro embaçado e assim sua visão melhorava, e eu menino a tudo observava.
Os bondes partiam da Praça João Mendes, no centro da cidade, e seguiam pela Rua Vergueiro, viravam à direita já na Vila Mariana, e desciam a Rua Conselheiro Rodrigues Alves e novamente faziam uma curva à direita em frente ao Instituto Biológico, agora já na Vila Clementino.
Daí em diante era que quase uma grande reta até Santo Amaro no Largo 13 de Maio. Descia a Alameda Santo Amaro, Largo São Sebastião e finalmente Socorro. Este era o trajeto da linha 101. A 102 terminava no "balão do bonde" em Indianópolis. A 103 acabava no "balão" do Brooklin.
A 104 era a única que era um pouco diferente. Começava em frente à Igreja de São Judas, no Jabaquara, seguia até a Conselheiro Rodrigues Alves, dobrava agora à esquerda, e aí era igual às outras linhas, só que seu "balão" se dava no Largo São Sebastião, abaixo do Largo 13 em Santo Amaro, aí sim, para iniciar sua volta. Era São Judas/Santo Amaro.
Descrevendo o trajeto dessas linhas que tanto usei, acabei voltando no tempo e, afinal, dei mais voltinha pelos "bondes" da minha vida.
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