Até a década de 40 praticamente só se vinha ao mundo pelas mãos de uma mulher, que era como um anjo da guarda das mulheres grávidas. A famosa parteira.
Acredito que a maioria das pessoas que hoje em dia estão na faixa do seminovo, ou seja, 65 para cima, tenha chegado nessa vida com ajuda de uma parteira.
Na minha querida Freguesia do Ó havia uma parteira famosa, que morava no Largo da Matriz Nova, bem do lado da Matriz de Nossa Senhora do Ó. Era uma senhora de cabelos brancos (pelo menos quando a conheci, seis anos depois do meu nascimento, seus cabelos eram brancos), chamava-se Dna. Zelinda e durante muitos anos, mesmo antes do meu nascimento, ela já atendia praticamente todos os partos daquela região de São Paulo.
Como a maioria das casas do Largo da Matriz na Freguesia do Ó está conservada e hoje foram transformados em barzinhos noturnos, acredito que a casa dela ainda esteja intacta, assim como ainda está a casa em que nasci e vivi até os meus 20 anos.
Quando do meu nascimento o vigário paroquial da Matriz era um padre brincalhão e alegre e até muito moderno. Seu nome! Padre Aguinaldo. Assim como todos os nascimentos passavam pelas mãos da parteira Dna. Zelinda, todos os batizados passavam pelas mãos do padre citado, muita gente tornou-se, assim, seus afilhados, pois era costume convidar os padres para serem os padrinhos do batismo dos filhos.
Alguns anos, eu já adulto, encontrei o padre Aguinaldo agora com titulo de monsenhor, iniciamos um longo papo sobre a antiga Freguesia ainda sem asfalto, o Largo da Matriz ainda sem os jardins que hoje em dia servem de adornos verdes, com seus gramados e suas frondosas árvores, muitas das quais eu vi nascer e crescer. E claro, em nosso assunto acabou entrando o nome Dona Zelinda, a parteira.
Quando eu comentei:
– Puxa, monsenhor, acha que todo mundo que nasceu aqui no bairro teve seu parto feito pela Dna. Zelinda?
Ele sorrindo respondeu:
– Menino, Dona Zelinda só não fez mesmo foi o parto de Jesus Cristo.
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