Sonho triste/Despertar feliz

Hoje, sábado de Carnaval, dia de alegria.

São Paulo comemora os festejos do Rei Momo.

O telefone tocou…

Alô, sim, sou eu. Como? Você está brincando…?

Triste notícia!

A memória fez o tempo retroagir. Década de 50. Residíamos aqui no Brooklin/Banespa, quase na divisa com Santo Amaro. Meninos ainda, sempre juntos, escola/folguetos e diabruras típicas da idade.

Jogávamos bola, taco, e a mais emocionante das "aventuras", tocar as campainhas das casas dos outros e sair correndo, e rindo às gargalhadas…

Aventuras mil. Juntos crescemos e sempre amigos leais permanecemos.

Os meandros da vida nos separaram. Cada qual seguiu o seu destino e em outras plagas fomos morar.

E como o destino é imprevisível, nesta altura da vida, por mera coincidência, voltamos a residir próximos e a manter contato, ele morando um pouco distante da capital paulista, mas perto, por assim dizer.

– Sim, ele desapareceu… foi pescar no mar, sua paixão, e o barco naufragou sob um enorme temporal.

Paulo era o seu nome e estava muito feliz da vida, pois se tornara novamente avô e não cabia em si de contentamento.

Senti os olhos umedecidos pelas lágrimas que afloravam… Meu grande amigo se fora, companheiro inseparável dos folguetos de infância.

– Oi, oi, acorde bem, que já é tarde! Ham, ham. Levante que o café está na mesa.

Foi o mais feliz despertar que já tive.

Meu grande e querido amigo continua vivo.

Fora apenas um triste sonho…

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