Uma linda mulher

Foi em 1954, eu tinha 14 anos, todos os dias depois das aulas eu e mais amigos íamos jogar futebol de botão na casa do amigo Nelson. Ele morava na Alameda Santos. Nós jogávamos no chão da sala, era uma sala grande, casa antiga. Ele era de família turca, todo fim de tarde a mãe e sua tia ficavam sentadas na sala conversando e nós jogando futebol de botão no chão.

A tia era uma mulher muito bonita, tinha um par de pernas que era uma loucura. Ela sentava e cruzava as pernas, nós sentados no chão víamos tudo. Apesar de pouca idade já ficávamos com um baita tesão. O Nelson falava: “É minha tia, mas todas as noites eu me masturbo pensando nela”. Nós ríamos, “pô, é sua tia, cadê o respeito?”.

Até que um dia ele falou que tinha uma surpresa para nós. Todos os dias, na parte da manhã, a sua tia tomava banho. Ele fez um furo na porta do banheiro, na parte de baixo da porta, a gente tinha que deitar no chão e olhar pelo buraco. Eu falei: “Por que você fez um buraco tão baixo?”. Ele disse que se tivesse algum barulho, a pessoa nunca olha para baixo da porta, e sim na direção do rosto.

Ele era um sobrinho terrível de esperto. A tia era uma mulher de 1,75 de altura, cintura fina, quadril grande, coxas grossas.

Todas as tardes, futebol de botão no chão e maus pensamentos. A notícia se espalhou entres os colegas, todos queriam jogar botão na casa do Nelson, então fizemos um campeonato. Todas as tardes, sempre a mesma história, mas cometemos um grande erro: como tinha muitos amigos, a mãe e a tia, para não atrapalhar os jogos, passaram a sentar no quarto. E nós ficamos chupando o dedo. Então acabamos com o campeonato.

A tia foi embora, a mãe perguntava sempre por que não tinha mais campeonato de botão. O Nelson disse roubaram a taça do campeonato (mal sabia a coitada que a taça era a irmã).

Como é bom lembrar os bons tempos da nossa inocente infância.

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