Alguns anos já se passaram.
Seu nome era Paulinho.
Ele era loirinho, sorriso meigo e encantador, típico de criança feliz. Morava aqui na mesma rua que ainda moramos e não saía de nossa casa. Era meu sobrinho predileto.
Certa vez, num Clube de Campo que frequentávamos, lá estava ele, todo orgulhoso com a camisa do São Paulo, sãopaulino que era (para tristeza do tio corinthiano, mas deixe para lá). Tinha ganhado uma bola de futebol e, como tal, se sentia o "dono do campo":
– Tio Cideme (eu), vem ver a gente jogar bola.
Lá na "arquibancada", sentado, apreciava os "craques" do futuro.
Eram todos meninos em idade escolar, e dentre eles tinha um "Pelézinho". Joga daqui, joga de lá e o time do "Pelézinho" ganhando de goleada…
De repente, meu sobrinho para o jogo e põe a bola debaixo do braço e, de dedo em riste, coloca o nosso amiguinho para fora do jogo.
Levantei rapidamente e o chamei:
– Paulinho, o que é isso, só porque ele é moreninho você o expulsa? Que coisa feia, não faça isso não!
– Não tio Cideme, não quero que ele jogue mais, porque ninguém consegue tirar a bola dos pés dele e ele só fica marcando gols…
Fiquei mudo e nada falei.
Meses depois, uma profunda tristeza na família. Numa simples operação cirúrgica…
Paulinho tinha dez anos…
Deus o levou para nunca mais voltar.
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