Minha vida nesta Megalópole

Nasci e sempre vivi em São Paulo, estudei em um só colégio, do primário ao clássico. O colégio Oswaldo Cruz um dos mais tradicionais da época, de 58 a 69, lá tive mil amigos, alguns que conservo até hoje, outros que se foram, mas deixaram saudades. Estou programando um encontro com todos os colegas do primário e ginásio, pois já nos reunimos com os do clássico, o ano passado em minha casa. <br><br>Sou da época dos concertos matinais Mercedes Benz no Teatro Municipal, onde dancei por inúmeras vezes ballet clássico. Sou da época do bonde que vinha do Largo da Penha, onde meu pai tinha farmácia, até a Av. São João, onde havia o Restaurante do Papai na esquina da Duque de Caxias e todas as sextas feira meus pais traziam os funcionários para comer feijoada a uma da madrugada.<br><br>Lembro-me dos carnavais de rua ainda na Av. São João, do restaurante “O gato que ri” do Largo do Arouche que até hoje perdura, da deliciosa sopa de cebola nas madrugadas no então CEASA, do café no aeroporto de Congonhas, um luxo da época, dos bailes no Santa Paula Yatch Club. Ainda vou escrever um livro com todas estas lembranças, pois tenho fotos magníficas, dos concursos de miss São Paulo, que eu adorava assistir.<br><br>Em 1970, representando o Clube Atlético Ypiranga do bairro onde nasci por acaso, pois meus pais estavam em um baile, classifiquei-me entre as oito finalistas. Fiz tudo por esta cidade, que me deu muita felicidade, inclusive três ótimos filhos, orgulho de minha vida, mas também tive percalços. Descontente com os caminhos políticos do país comecei a atacar o Governo Federal com faixas na porta de minha drogaria na Rua da Consolação, saindo como matéria em diversos jornais de grande circulação.<br><br>E sem mais nem menos, depois de diversas ameaças, meu pai foi assassinado com um tiro no rosto, há exatos 21 anos atrás. São coisas da vida, mas eu continuo aqui e vou vencendo os obstáculos, pois sou paulistana, lutadora e vencedora.<br><br>E-mail do autor: [email protected]