Rua Pilões, anos 50

Meu pai, após sair da Cerâmica Sacomã, isto porque a empresa foi desativada, ficando desempregado por pouco tempo, logo foi admitido em outro serviço. Desta vez foi trabalhar no setor de parques e jardins, sendo o mais novo barnabé municipal. Não sei o porquê do apelido, mas na época servidores públicos municipais eram conhecidos pela alcunha de "Barnabé".

Sendo servidor público, não tinha um lugar fixo para prestar serviço, era designado a trabalhar aqui, lá e acolá. Recordo que ele trabalhou no Parque do Ibirapuera, numa escola municipal no bairro Vila Vera, encerrando em outra escola no bairro Vila Maristela, em razão de seu falecimento, dia 12 de agosto de 1968.

Numa noite fria de inverno vinha ele do seu trabalho rotineiro e, de volta pra casa, passando pela Rua Pilões, foi abordado por um dos policiais civis que estavam na viatura. O policial logo o identificou, pelo uniforme que estava usando e também pelo "chapéu de bico" na cabeça, e perguntou: “Olá, seu "Barnabé", você está armado?”. Meu pai respondeu que sim. E já foi logo passando a velha garrucha calibre 32, e dali seguiram para o DI – Departamento de Investigações.

Não tinha conhecimento de como era um departamento policial, mas dizia ele que após assinar um B.O., tomou um "chá de cadeira", e neste ínterim, devido estar por ali esperando o momento de ir embora, houve qualquer coisa lá entre polícia e pessoas a serem investigadas. Um tal de disse me disse, foi fulano, foi sicrano, foi bertano.

Acharam que o meu pai tinha escutado alguma conversa, dias depois ele recebe uma intimação para comparecer e prestar depoimento, seria ele uma testemunha de que nada sabia. Ele já conhecia os três macaquinhos: "Não vi, não sei, não escutei".

Quem nunca passou por esse tipo de problemas fica um bocado nervoso, se meter em rolo, caso de polícia, justiça, enfim, é complicado, perder dias de serviço etc.

Conversando com conhecidos no Bar do Sr. Quincas, Rua Lício de Miranda, sobre a questão, logo alguém lembrou de uma pessoa que poderia resolver essa questão. O meu pai estava muito preocupado, nunca precisou de um advogado para resolver qualquer tipo de problema, a sua vida foi sempre foi trabalhar para cuidar da família.

A pessoa que foi indicada era conhecida por todos os moradores da Vila Carioca apenas pelo nome de Alex. Quem é o Alex, seria o "mascate" que vende roupas no bairro. Não é o mascate, o nome é igual, mas não é.

Alguém ligou para o Alex, acertou o horário para ir até o departamento policial junto com o pai, e depois de uma boa conversa com as autoridades tudo foi esclarecido. Meu pai nunca teve problemas com a justiça e estando voltando pra casa, vindo do serviço, portando uma velha garrucha, não era caso para ficar preso. Resumindo: o Alex Freua Neto acabou sendo o advogado do meu pai.

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