Lendo tantos textos maravilhosos sobre o nosso querido Brás da década de 50/60, me veio a enorme vontade de recordar um pouco dos felizes tempos de infância e juventude.
Nasci em janeiro de 1945 na Rua Carneiro Leão, 483, bem defronte à Rua Azevedo Junior, próximo da Rua Visconde de Parnaíba, isto é, na divisa do Brás com a Mooca, dois bairros que amo. Filho de um homem humilde, órfão de pai e que foi criado em orfanato, mas com minha avó espanhola morando próximo de nós, na Rua Mello Barreto, para onde me mudei aos treze anos de idade.
Por parte de mãe sou neto de italianos. Meu pai, vendedor ambulante, vendia panelas e utensílios de alumínio com um saco nas costas, que muitos do Brás devem conhecer… Ele comprava as panelas na loja de alumínios do Mariano, na Carneiro Leão, e criou cinco filhos: duas mulheres, que são as mais velhas, e três homens, dos quais sou o mais velho. Todos hoje casados, com famílias bem constituídas, frutos de exemplos de meus pais.
Bem, a minha infância foi maravilhosa, nascido dentro de casa, na Vila da Carneiro Leão, defronte a Azevedo Junior, nas mãos de uma parteira. Somente meu irmão mais novo (dez anos mais novo que eu) nasceu em maternidade.
Na Vila tive o meu primeiro grande amigo, Renê Palermo, cujo pai tinha uma marcenaria no fim da Rua Visconde, próximo do Belém. Depois, os amigos da rua, e seria difícil citar todos pelo nome, são muitos, e muitos deles, incluindo o Renê, amigos até hoje.
Fiz meu curso primário no Eduardo Carlos Pereira, na Rua da Mooca, pois ficava mais próximo de casa. Não consegui entrar no Firmino pelo exame de admissão que havia e fui fazer meu primeiro ano ginasial no Vera Cruz, da Rua Piratininga, que era pago. No segundo ano eu consegui me transferir para o Domingos Faustino Sarmiento, onde concluí o ginásio.
Na Carneiro Leão vivi a infância, e como me lembro dos jogos de futebol na rua, cujos gols eram os postes, um que ficava defronte a Rua Azevedo e o outro quase na curva da Carneiro, em frente ao Bar do Português, pai do Albino.
Brincávamos de mãe da rua, em que a gente tinha de atravessar a rua como um saci pererê, com um pé só, e o menino que estivesse selando, isto é, que estivesse no meio da rua, tinha de agarrar quem estava atravessando e colocar o outro pé no chão. Aí ia aumentando o número de pegadores até sobrar um só tentando atravessar.
Palha ou chumbo, em que um grupo ficava de quatro, um abraçando o outro nessa posição, pela cintura, e o outro grupo vinha correndo e pulava em cima (sentando-se), um por um até ficarem todos em cima. Aí diziam palha ou chumbo, e se gente falasse palha era porque estava fácil de aguentar o peso, mas balançando pra ver se derrubava algum de cima para inverter-se a posição na próxima rodada.
Frequentávamos o Parque Infantil Municipal Dom Pedro, onde jogávamos bola, nadávamos (eu não…) tomávamos lanche e ainda muitas vezes levamos leite para casa.
Mudei-me para a Mello Barreto. Fundamos o Leão do Brás, onde jogamos numa faixa etária dos 13/14 anos até 19/20 anos. Saudades também dos Melinhos, clube de futebol de salão.
Foram muitos anos nesse quadrilátero entre Rua da Figueira e Largo da Concórdia. Ficávamos ou na esquina da Piratininga com a Rangel Pestana (Pizzaria Chic), ou na esquina da Mello Barreto.
Grandes amizades, saudades dos bailinhos, caseiros, com Cuba libre (Coca e rum) ou Hi fi (Crush e Gin, salvo falha de memória) ao som de Ray Conniff, boleros, músicas italianas.
Saudades dos lindos bailes de formaturas, de smoking, gravata borboleta, das meninas com vestidos longos, do respeito ao tirá-las para dançar, ao som de orquestras como as de Zezinho, ou Luis Arruda Paes. Dos bailes no Esso, na 24 de maio, de onde voltávamos, às vezes, a pé, de madrugada, até a Mello Barreto.
O bom disso tudo é que muitos amigos do Brás e Mooca ainda mantenho e muito nos recordamos daqueles lindos tempos…
Abraços a todos.
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