Nascido no bairro da Liberdade, mais precisamente na Rua Ida, aos seis anos fui residir na Rua Itapicuru, 648, na quadra entre as ruas Ministro de Godoy e Franco da Rocha.
Nessa época, o Pacaembu já estava loteado pela Companhia City, (1938), mas havia um grande número de terrenos baldios, onde a passarada era perseguida pelos estilingues da molecada. No local onde foi depois construído o estádio, havia uma nascente e um grande brejo, onde as rãs eram caçadas à noite.
Durante a copa do mundo da França – creio eu, a primeira a ser irradiada em ondas curtas através do Atlântico -, a vizinhança pedia para meu pai colocar o rádio "capelinha" na janela para que todos pudessem acompanhar…
O Pacaembu era considerado um bairro chique, havendo desbancado a Vila Buarque, cheia de mansões e nenhum edifício de apartamentos. Enquanto os moradores de Perdizes serviam-se dos bondes 19 – Praça do Correio e 39 – Praça Ramos de Azevedo, aqueles que moravam no Pacaembu, quando não dispunham de um carrão americano – Nash, De Sotto, Dodge, Buick, La Salle, Mercury, Lincoln e outros -, utilizavam os modernos "Twin Coach" elétricos, que rodavam silenciosamente.
Na década de 40, após a construção do "monumental" Estádio do Pacaembu, no dias de jogo, desde cedo, juntava-se a "turminha" dos duros que assistia (?) a partida de seu clube no famoso "morrinho". Muitas vezes, eu e meus amigos nos aglomerávamos na entrada do estádio, porque os portões eram abertos aos dez ou quinze minutos do segundo tempo!
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