Coisa Séria

Até metade da década 80, nos domingos pela manhã, em padarias que variavam de bairro para bairro, os “boleiros” do bairro se reuniam para jogar pelo time varzeano do eventual bairro.

Era muito difícil um bairro na capital paulistana que não houvesse dois ou três times varzeanos. Cada time tinha o seu local, onde seus jogadores se apresentavam para o compromisso. Alguns levavam chuteira sob os braços; outros (os craques), nem chuteira levavam, pois, para estes dotados de mais técnica, o clube oferecia chuteiras – ou, algum cascudão do segundo lhe emprestava as suas.

Campo para jogo é o que mais tinha. Lá, iam dois servidores do time do bairro colocar as redes nas traves, redes de barbante/corda cor escura, muito melhores que as atuais de nylon. Quando tinha festival, o campo era marcado com cal. E as taças que seriam disputadas.

Vários times compareciam quando era festival. Era o famoso futebol de várzea de São Paulo que, de certo, tem nada a ver com esta falsa várzea de hoje. Eis que, outrora, havia estigma, carisma, os times jogavam num rigoroso 4.2.4., e o que não faltavam eram craques de verdade que, por razões diversas, não tornaram-se profissionais.

Duvido que entre vocês, leitores, não exista um que não tenha visto grandes craques na várzea. Naquela época, a concorrência era grande, a técnica imperava nos quatro cantos da capital paulistana. De Norte/Sul/Leste e Oeste, quantos e quantos e quantos timaços de várzea não fizeram história? Com certeza absoluta, centenas e centenas de craques com potencial para serem profissionais não o foram; como já disse, por motivos outros.

A vida, o futebol, a sociedade, o espaço, os valores eram outros. Se eram melhores que os de hoje eu não sei. Porém, sei que, em termos de futebol, o de outrora vencia o de hoje por goleada. Viva a várzea paulistana.

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