Estava chegando o final do governo de Juscelino Kubitschek, e a eleição para substituí-lo estava marcada o dia 3 de outubro de 1960. Essa data já era a data preferencial para uma eleição. Ó que naquele ano, de 1960, essa data caía numa segunda-feira, e assim mesmo foi mantida a eleição.<br><br>Mas, no dia anterior, havia uma grande solenidade aqui na cidade de São Paulo. O glorioso clube de futebol que tem o mesmo nome da maior cidade da América do Sul inaugurava o seu majestoso estádio, mesmo que parcialmente. Na parte de baixo, todo o anel estava fechado, mas estavam abertos a parte de cima, que tinha as arquibancadas, e o terceiro setor, onde ficavam as gerais, com menos da metade construída. <br><br>Até aí já era grande o esforço da diretoria do São Paulo Futebol Clube, que era presidido por Laudo Natél. Eu, que sempre morei ali pelas proximidades (Itaim), acompanhei desde o início a construção do estádio, que teve a pedra fundamental lançada em 1953.<br><br>Em 1957, andava de bicicleta pelos degraus, na parte de baixo, onde se localizam hoje as cadeiras cativas. O jogo inaugural foi contra o Sporting de Portugal, que, entre seus onze jogadores, trazia um nome muito conhecido entre nós, principalmente palmeirenses: o goleiro Aníbal, que jogou em 1958-59.<br><br>Eu estava lá. Era um domingo chuvoso e o gramado já mostrava que era bom, pois não havia poças de água, o que mostrava que o escoamento subterrâneo estava perfeito. Estava na parte oposta, onde tinham as cabines de rádio e televisão. O fosso que fazia o isolamento da torcida com o campo, onde se dizia que haveria água para ninguém pular, estava seco. Sendo assim, eu, como um bom indisciplinado, pulei e fui pegar um lugar melhor. Os lugares disponíveis não estavam todos ocupados, talvez devido à chuva e por ser contramão para muita gente que dependia de condução – que praticamente não havia.<br><br>O São Paulo não tinha um grande time, pois pelo fato de gastar muito dinheiro com a construção do estádio, não podia contratar bons jogadores. Seu grande nome era Roberto Dias, um centro médio que estava entre os melhores do futebol brasileiro, sempre lembrado para as seleções paulista e brasileira.<br><br>O jogo se desenrolava e eu, como não torcia para o São Paulo e muito menos para seu adversário, estava muito à vontade. (Também para não ficar nervoso da mesma forma, quando assistia aos jogos do Palmeiras.).<br><br>Mas também não torcia contra o São Paulo, pois só pelo fato de o tricolor nos dar aquele belo estádio, merecia respeito em sua inauguração. Eis que, de repente, a torcida sãopaulina dá o seu grito de gol. Era o ponta direita Peixinho, que tinha vindo de Araraquara. Foi quem, pela primeira vez, balançou as redes do novo estádio de futebol da cidade de São Paulo.<br><br>No dia seguinte, o povo brasileiro ia às urnas para eleger o novo Presidente da República. Estavam disputando a pleito Jânio Quadros e o General Henrique Teixeira Lott, este apoiado pelo presidente Juscelino Kubitschek. Jânio venceu com sobras, confirmando seu favoritismo, com quase seis milhões de votos.<br><br>O Brasil começava a viver um período de expectativa para melhores dias. Expectativa essa que se exauriu em 25 de agosto de 1961, com a renuncia de Jânio.<br><br>e-mail do autor: [email protected]