Estamos a 17 de Janeiro de 2008, já ultrapassamos a 1ª quinzena do ano e logo mais entraremos nos dias de reinado de Momo, o rei da folia.
As lembranças teimam em borbulhar na mente. Tento resistir, mas é impossível, um coro uníssono vem massagear meus tímpanos:
Mamamama mamãe que quero / Mamãe eu quero, Mamãe eu quero mamar / Me dá a chupeta / me dá a chupeta / me dá a chupeta pro bebe não chorar…
Sinto como antigamente, o suor descendo pelo meu rosto, sinto o cheiro do lança-perfume, e continuo ouvindo o coro a cantar:
Eu sou o pirata da perna de pau / do olho de vidro / da cara de mau… Minha galera / dos verdes martes não teme oi tufão / minha galera só tem garotas na guarnição / por isso se outro pirata tenta a abordagem, eu tiro o facão e grito do alto da popa: Oooooopa, homem não!
Vejo que estou no salão social do “CAFÉ” (Centro Associativo Fazenda Estadual), onde minha tia, a Zaira Chammas, além de sócia, é jogadora de tênis de mesa e, mais, era a Rainha. Naquela época o clube ficava instalado no Edifício Martinelli, depois mudou sua sede social para a Rua 13 de Maio, quase em frente ao antigo Clube Transatlântico.
O coro continua:
Guardo ainda bem guardada a serpentina / que ela jogou / ela era uma linda Colombina / e eu um pobre Pierrô / guardei a serpentina que ela me atirou, brinquei com a Colombina até as quatro da manhã / chorei quando ela disse vou-me embora / até amanhã / Pierrô até amanhã…
Anos depois, junto com uma turma enorme, inclusive minha querida maninha Norma Toschi, me vejo indo de carona com o pai dela, “seu Nicolau”, para pular o carnaval nos salões da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Lá nos esbaldávamos cantando:
Loirinha / Loirinha / dos olhos verdes de cristal / Destra vez / em vez da moreninha / serás a rainha do meu carnaval…
Ou então:
Eu fui às touradas de Madrid / Parapa chimpum pum pum / E quase não volto mais aqui / pra ver Ceci / Beijar Peri… Eu conheci uma espanhola / natural da Catalunha / queria que eu tocasse castanholas e pegasse touro à unha / Caramba / Carambola / sou do samba não me amola / e pro Brasil eu vou fugir /Isso é conversa mole para boi dormir…
Antes de ouvir o frevo Vassourinhas, que terminava de forma avassaladora cada uma das seleções carnavalescas daquelas frenéticas matines, ouço ainda:
Alalao oooo oooo / Mas que calor ooo ooo / Atravessamos o deserto do Saara / O sol estava quente e queimou a nossa cara / Alalao ooo ooo…
Foram muitas as matinês carnavalescas da minha vida, e de todas elas consigo me lembrar com saudades. Quem sabe, até a chegada do tríduo momístico eu não escreva mais sobre o assunto.
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