Por volta de 1952 o cine Sammarone, no Sacomã, Ipiranga, fazia propaganda do filme "Tarzan e a Montanha Secreta". Não lembro do nome dos artistas (Lex Baxter??), mas o herói referenciado estava lá, forte e defensor dos fracos. <br>Na "matinné" da qual eu era freqüentador assíduo, onde assistia empolgado as aventuras do "Morcego Negro", o atual Batman, em capítulos, imaginando como tais heróis se safariam das armadilhas preparadas pelos inimigos, aguardava com ansiedade o dia em que o filme do "Tarzan" seria passado.<br><br>O dia chegou, domingo, matinné.<br>A bilheteria abriria às 13 horas, ao meio-dia eu já estava grudado a grade de ferro que a limitava a Rua Silva Bueno, aguardando ansiosamente o começo da venda dos ingressos… Passaram-se os minutos, longos, a fila foi-se formando. Algumas dezenas, centenas… Até que os funcionários levantaram as portas… Correria em direção aos "guichês": dois apenas… Tumulto.<br><br>Eu, franzino, que fui um dos primeiros a chegar, perdi minha posição e fui empurrado para fora da tal fila, que se mostrava interminável, e por mais que tentasse, seu início ou final era assustador. Tentei encontrar alguma brecha, mas sempre barrado, por rapazes e homens que me viam como um "fura fila".<br><br>Desisti (palavra doída)… Era muito para uma criança…<br>Voltei para casa e no caminho encontrei o Sérgio, meu companheiro de infância, que disse só ter conseguido o dinheiro da entrada depois de muito implorar com sua mãe (sua família era ainda mais pobre que a minha). Relutei em voltar, e ele foi sozinho, apesar de tê-lo informado das dificuldades que iria encontrar… <br><br>À noitinha o Sérgio voltava triunfante da aventura. Tinha conseguido e eu, frustrado, ouvia seu relato da história do "Tarzan e a Montanha Secreta"…<br><br>Tirei a palavra "desistir" da minha vida.<br><br><br>e-mail do autor: [email protected]