A Vila Olímpia teve vários personagens dos mais variados tipos. Toninho Russo era do tipo bonachão, mais ou menos gordo estatura mediana e, mesmo assim foi Golkiper do Flamengo da Vila Olímpia em sua primeira fase, anos 1950.<br>Queria se encontrar com ele? Era só ir ao bar do Valdemar, Rua Casa do Ator, não muito longe da sua casa. Não jogava bilhar, mas era um assistente e torcedor de algum amigo, dando alguns palpites e uma bola boa para jogar.<br>Todo ser humano tem inimigos. Não se conseguiam saber qual era o seu. <br>Era um Palmeirense inveterado. Sempre tinha fé no time naqueles anos que o Palmeiras era o único time que conseguia bater no grande Santos de Pelé e Coutinho.<br>Toninho trabalhava como motorista. Naqueles lindos anos dourados ele foi ser bolacheiro. Com seu furgão e com um alto-falante, soltava sua voz vendendo “as melhores bolachas do mundo”. Depois foi ser motorista particular. Não era aquele motorista para levar a madame daqui ou ali, era motorista para serviços gerais. Ia para todo canto inclusive à fazenda do patrão.<br>Pelo seu jeitão legal, era muito bem quisto pelo amigo que, por acaso, era seu patrão. Um verdadeiro irmão. Dito tanto por ele como pelo chefão, como ele gostava de dizer com sua gargalhada não muito alta.<br>Todos os domingos ele era intimado a ir à fazenda, sempre tinha algo para levar.<br> Um dia ele reclamou. Poderoso: Eu tenho o direito de ficar com minha esposa nos fins de semana. O patrão coçou a cabeça, fez um meneio, afirmativo, dando razão a ele.<br>“Então faz o seguinte: você vai ter que ir à fazenda, com sua esposa e filhos. Afinal não posso ficar sem meu torcedor de bocha”. Toninho, além de torcer, era também quem girava o ponteiro que marcava os pontos feitos pelos participantes do jogo de Bocha.<br>No domingo que o Brasil jogaria com a Itália pela disputa da copa do mundo de 1970, o patrão sabendo que Toninho não ficava sem assistir um jogo de bola levou a televisão. Pronto era certa a presença de Toninho naquele domingo na fazenda. Antes do jogo seria disputado também um jogo do torneio de Bochas, que o patrão estava disputando.<br>O jogo estava pau a pau. Toninho com o dedo girava o placar. Nos últimos pontos que o jogo estava empatado o Patrão colocou a bocha bem encostada no balim fazendo os pontos necessários para ganhar a partida.<br>Toninho deu um pulo de alegria, e numa gargalhada estrondosa ficou caído ao chão. Levanta gordo foi o que disseram. Mas ele não levantou. Foi acometido de um infarto fulminante. Sua fisionomia mortal era com a boca aberta do riso dado de felicidade pela vitória do amigo. Como sempre, ele vivia rindo e como tal se foi.<br><br><br>e-mail: [email protected]