“Ah, se eu pudesse viver novamente…! Faria tudo o que eu não fiz em minha vida!” Na verdade essas palavras são do poeta argentino Jorge Luiz Borges. No entanto, são palavras que os santamarenses que viveram por aqui num passado não muito remoto, poderiam usar para simbolizar a saudade que sentem dos tempos idos de sua juventude, por conta da transformação pela qual passou nosso bairro. Santo Amaro de hoje não é mais aquele Santo Amaro de trinta ou quarenta anos passados. Aí é que eu digo: Ah, se eu pudesse viver novamente no Bairro onde nasci…! Eu curtiria mais as tardes domingueiras no Cine São Francisco, Cine Mar e Cine Santana, depois Marajá. Passaria mais tempo sob aquele abrigo de ônibus, ao lado da Igreja Matriz, no Largo Treze de Maio apreciando as idas e vindas dos santamarenses, todos conhecidos meus; comeria mais pastéis com caldo de cana na pastelaria do chinês que havia na galeria do Cine Bruni, (Galeria Borba Gato); freqüentaria mais o Restaurante Amigo Fritz, na Pça. Floriano Peixoto com os amigos de Escola; iria mais ao Bar São Paulo e no restaurante dos Robbas. Ah, se eu pudesse viver novamente aqueles tempos! Daria mais valor aos colégios em que estudei, como o Grupo Escolar Paulo Eiró, o Colégio Alberto Conte e o Ginásio Estadual Melvin Jones; me divertiria mais nos bailes de carnaval do Cassino Vila Sofia, do União de Itapecerica e no Bar Bambergue em Piraquara, hoje Campo Belo; daria mais voltas em torno do Jardim de Santo Amaro e passearia mais pela Rua Direita; iria mais vezes no Studio Amaro, Bazar e Papelaria Barroso; conversaria mais com meus amigos de então, que hoje não vejo mais nas tardes de sábado em frente a Padaria Quinze; comeria mais sonhos da Padaria Goa e jogaria mais bilhar no saudoso Sete Mesas; andaria mais descalço nas terras pretas da Capela do Socorro; correria mais atrás da bola nos campos do Palmeirinha, do Guza e da Laborterápica; iria em mais festas juninas do Laboratório Squibb; correira mais para pegar Içá (Tanajura) nos campos ao redor da represa; aconselharia mais aos meus amigos que lá encerraram suas vidas afogados deixando suas ilusões nas profundezas daquelas águas. Muitas outras coisas fogem-se da memória neste instante. Mas vejam meus amigos: não dá mais. Nada do que aqui foi dito existe hoje em nosso Bairro.
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