Bravos da Vila Olímpia

É, tenho dito aqui por diversas vezes da existência dos que comandavam essa área na Vila Olimpia de baixo e a de cima.
A de cima era o Veludo, criolinho baixo, mas muito forte (parrudo), e bom de briga, todos o respeitavam (inclusive os lá de baixo), até que em um dos bailes promovidos pelo E. C. VILA OLIMPIA, ali na Avenida Santo Amaro, altura do nº 2100, aos sábados, lá estava o Veludo e também todos os seus amigos, e eis que naqueles tempos surgia na V.O. um criolinho muito simpático, magrinho, esbelto, inclusive foi morar na esquina da Rua Baluarte com a Rua Professor Vahia de Abreu, em cima do empório ali existente, e, lógico, quis se enturmar e para tanto foi conhecer o Clube e justamente no dia do baile. E o que aconteceu? Não se apresentou para o Veludo, que foi direto cartear uma marra com o criolinho, e vocês já viram o que aconteceu, né? O recém chegado não se abalou e disse ao Veludo que aceitava a briga, mas… Num local sossegado, longe dali, inclusive dos seus amigos. Para tanto, se dirigiram para a esquina da Rua Pavão com a Rua Araguari.
Rapaziada, vocês não sabem o que aconteceu… Surpresa para todos… O Veludo levou o maior pau, saiu todo quebrado, inclusive foi embora do bairro, reaparecendo muito tempo depois, vindo a falecer alguns anos mais tarde de tuberculose. Diga-se de passagem, sentimos muito todo o ocorrido, pois era muito bem quisto por todos nós.
Mas quem era esse moreninho, magrinho, esbelto que o Veludo não contava?… Era o campeão brasileiro de boxe meio médio ligeiro, seu nome: Napoleão Gomes da Silva. Que veio a ter um fim triste, também depois de ter ido duas vezes à Itália e ter levado tanto pancada ficou ruim da cabeça, e se por acaso alguém tenha visto no Largo Treze de Maio um criolão sentado e olhando e um lado para outro sem nexo, era ele, nos anos 1960.
Um detalhe: esses bravos que cito eram diferentes de hoje, não usavam revólveres, drogas etc. em seus casos pessoais…. E tinham muito respeito pelas famílias, eram praticantes do esporte bretão, o futebol como lembro agora do Didi, motorista da Casa São Francisco, que deu um tiro na bola por discordar do juiz, num jogo do Vila Olímpia, como naquela época não existia tantas bolas como nos dias de hoje, acabou o jogo.

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