Festa da Primavera

Durante o ano todo, a Festa da Primavera era muito esperada pelos alunos, pais, funcionários e professores do grupo escolar onde eu estudava. Adultos e crianças se mobilizavam para que tudo saísse certo. Alguns dias antes, as crianças em meio a muita risada e bagunça iam enfeitando com flores e bandeirinhas de papel o pátio.
Algumas meninas se candidatavam a rainha e princesas e se elegiam as que vendessem mais votos. Cada voto custava muito pouco, o que facilitava a venda. Coitados dos tios, avós, padrinhos e amigos!
No caminho de volta da escola para a casa minha irmã, algumas colegas e eu íamos parando e vendendo muitos votos aos donos dos pequenos estabelecimentos espalhados pela Avenida Tiradentes, pelas Ruas Paula Souza e 25 de março. Ah! Não posso me esquecer que o padre da Igreja São Cristovão, na Avenida Tiradentes, também comprava! Não escapava ninguém!
A minha irmã Mê foi a rainha numa das festas, e minha mãe, muito caprichosa, lhe fez um vestido extraordinariamente belo. E minha irmã ficou mesmo uma rainha com direito a coroa e bastão: a Rainha da Primavera do Grupo Escolar Prudente de Moraes.
O intuito dessa festa era a arrecadação do dinheiro dos votos vendidos. Assim, a Associação de Pais e Mestres poderia arcar durante o ano letivo com uma boa alimentação e material escolar para os alunos carentes.
Naquela época a Associação era importante demais e muitos pais faziam questão de participar e tentar solucionar os problemas que surgiam no dia a dia, sempre com o apoio da diretora Maria Aparecida Rangel de França e das professoras Aparecida e Adelina que tinham por seus trabalhos, um amor maior! Além disso, muitas mães que sabiam tricô, crochê e costura ficavam um período na escola ensinando outras mães
interessadas em aprender.
A minha mãe, sempre politizada e dinâmica, se fazia presente no que fosse necessário. Ela muitas vezes arregaçava as mangas e ia para a cozinha ajudar. E nesse dia era certo ter sobre a mesa uma travessa de sopa suculenta ou uma travessa de canjica. Hum! A canjica dos deuses!
Todos achavam imprescindível que a merenda fosse quase um almoço, para que as crianças carentes voltassem para casa já alimentadas.
A Festa da Primavera era a data mais importante do calendário escolar pelo menos, para as crianças. Esse era o dia de muita alegria, de mil brincadeiras e de liberdade total naquele enorme pátio. Dia de assistir aos números de dança e de canto. Dia de ver a rainha e as princesas desfilando, assim como num conto de fadas!

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