O Bar Mata Fome de Santana

O "mata fome", bar situado ao final da Avenida Dr. Zuquim, durante muito tempo foi ponto de encontro e referência em Santana. Permanecia aberto a noite toda, coisa incomum na região à época (anos 70), quando ainda não proliferavam os fast foods com seus pratos e sabores padronizados.
Apesar da fauna que lá freqüentava, todos se respeitavam. Numa época de brava repressão, quando a qualquer momento podia-se ser parado ou revistado, policiais a bordo de temíveis peruas Chevrolet Veraneio chegavam para um lanche ou café e saíam discretamente sem importunar ninguém.
Nos finais de semana o boteco "bombava". Era difícil arrumar lugar num dos banquinhos junto ao balcão ou nas mesinhas laterais, porém, todos eram servidos com presteza pelo "Bigode", apelido genérico pelo qual todos empregados eram chamados.
O carro chefe do boteco era um sanduíche: filé acebolado com queijo, tomate e molho; envolvidos pelo pão sempre fresquinho e crocante vindo em fornadas da padaria Morávia localizada em frente.
Bigode, o proprietário, português bigodudo e forte, era quem preparava na chapa a iguaria, combinando os ingredientes, tostando a carne nos dois lados, raspando a chapa para não acumular excesso de gordura e queimados e, como toque final, o molho que dava um especialíssimo sabor ao sanduba.
Assim era o "mata fome" de Santana. Boêmios, malandros, policiais, motoristas de táxi… Todos o procuravam para fazer uma boquinha, tomar a "última" ou simplesmente encontrar a rapaziada para comemorar ou lamentar uma recente aventura.

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