Quando eu tinha doze anos de idade fui trabalhar em uma gráfica, Estabelecimento Gráfico Bignardi. Rua Marcos Arruda, altura no número 900. Tive muita sorte. Lá encontrei pessoas que me ensinaram uma profissão simples, mas que serviu para manter a mim e a minha futura família.
Lembro-me hoje dos ensinamentos do senhor Sebastião, chefe da tipografia, do senhor Aldo, chefe da pautação, do senhor Osvaldo, chefe da encadernação, do Milton, Mauro, Adonis, enfim, tantos outros, mas principalmente do senhor Alfredo, kardecista, dando-me modelos de moral. Caridade e bom comportamento.
Como tive sorte. Encontrar ao acaso [será que existe acaso?] pessoas que me aceitaram como eu era. Imaginem trabalhar em uma tipografia, aprendiz de tipógrafo, alguém que mal havia feito o curso primário.
Vinte anos depois, proprietário de uma empresa gráfica de porte médio [200 funcionários], eu me via em cada menor que começava a trabalhar conosco, a criança que eu fui, e procurei dar a cada um deles o mesmo tratamento que recebi quando criança.
Perdoem-me escrever coisas tão pessoais, mas eu tinha o dever de agradecer publicamente um dia as pessoas que guiaram meus primeiros
passos profissionais.
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