O primeiro contato que tive com uma sorveteria foi com a do Sr. Farahjala, pai do Aurélio e da Renee. Ficava ela na esquina da Antonio Paes com a Mauá, local que funcionava à base de economia familiar, a exemplo da Casa Whisky. Devíamos amolar muito o referido senhor, pois após o atendimento pedíamos sempre pra trocar o picolé: "quero um de coco queimado quadrado, não, não, um redondo, não, quero um de groselha", aliás, groselha, limonada ou laranjada eram os sucos da época à hora das refeições. Um picolé comum custava 1 mil réis, e se fosse de esquimó custava mil e quinhentos. O de massa custava o mesmo preço do de esquimó. Isto se passou em 1950, 1951.
Mais tarde, dos industrializados, preferia o Eskibon. Vinha ele acondicionado em uma caixinha de papelão nas cores azul e amarelo, porém antes era embrulhado em papel manteiga branco transparente.
Existe voz corrente que diz que senhoras que escondem a idade nunca devem pedir Eskibon, pois com certeza, a preferência revelará a idade avançada.
Outro sorvete que não pode ser esquecido é o feito em máquinas italianas produzidas no Brasil. Aquele com essência de frutas nas cores vermelha, amarela, laranja, vinho etc, todos com o mesmo gosto, mas dizíamos: quero um de morango e um de abacaxi. O critério era a cor. Estes não eram tão gelados e demoravam alguns segundos a mais pra derreterem. Acho todos uma delícia.
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