Meus primeiros carnavais

O carnaval, embora seja uma festa que acontece todos os anos, sempre deixa algo novo que é lembrado.
É gratificante lembrar dos quais iniciamos nossa participação, menciono no plural pois a entrada na folia, para um moleque de bom tom, seria lenta.
As primeiras lembranças, aos oito anos, reforçadas posteriormente por fotos, são da roupa usada.
É preciso esclarecer que minha mãe, por viajar ao Rio, adorava a vestimenta dos homens cariocas no Carnaval. Todos queriam imitar possíveis malandros. Calça e sapato branco, camisa listrada e chapéu de palha, em estilo clássico.
Como éramos comportados, a camisa dentro das calças, o que deixava aparecer o cinto. Minha mãe não se importava que fosse preto mas, após muitos “desentendimentos”, quem ganhou foi meu pai, quando achou um branco, com o qual a fantasia ficava completa.
E assim íamos, de posse de confete, serpentina e lança-perfume, metálico é claro, papai já pensava na segurança dos herdeiros.
A iniciação era o “corso”, famosa confusão de veículos em avenidas importantes, poucas naquela época. A velocidade era mínima, mas a delícia estava em poder jogar confete, serpentina e espirrar lança-perfume nos estranhos ao seu lado.
Para sermos originais, usávamos a velhíssima pick-up do tio, normalmente usada para entregar a cachaça engarrafada por eles no fim do dia. Podemos imaginar o “aroma” do veículo, misturado aos veículos importados, com um bando de “malandros”, numa avenida como a Brasil.
Apesar de todos esses acontecimentos se seguirem por vários anos seguidos, essa foi a nossa grande entrada no mundo do Carnaval.