Li uma crônica do amigo Mario Lopomo enfocando o velho Hospital Matarazzo (Humberto I), eu também tenho várias passagens por aquele nosocômio que estava encravado no meu bairro, o Bixiga.
Foi lá que vi falecer dois tios muito queridos, tio Eduardo e Tio Antoninho, mas a primeira memória que me vem à lembrança me arremete aos meados dos anos 50. Um dos meus grandes amigos Luiz Loschiavo (Zinho), residente hoje lá no segundo andar, que morava mais no centrão do Bixiga, conhecia o Zé Enfermeiro que trabalhava no Hospital e era ali muito conceituado.
O Zinho tinha passado por uma cirurgia recomendada pelo Zé Enfermeiro que além de recomendar conseguiu todo o encaminhamento para a citada intervenção cirúrgica.
Eu como companheiro, depois do corte da fimose do Zinho, o acompanhei nas diversas idas ao Hospital para a troca de curativos e presenciei o quanto doía essa assepsia.
Mesmo assim o Zinho martelava a recomendação de que eu deveria fazer, também, a citada intervenção cirúrgica.
A “paúra” falava alto e me fazia recusar veementemente essa sugestão. Porém, como diz o ditado, água mole em pedra dura… Um dia, no trajeto entre a Rua Augusta e a Rua Itapeva, acompanhando o Zinho para mais um curativo, criei coragem e concordei falar com o Zé Enfermeiro e me operar também.
Conversas preliminares ocorreram, a data foi marcada e lá fui eu as 6:00h da matina, tendo ao lado meu fiel escudeiro, o Zinho (não sei se para me acompanhar ou para evitar que eu fugisse), para o Hospital Matarazzo.
Minutos depois da minha chegada o Zé veio ao meu encontro, perguntou se estava tudo em ordem e disse que eu teria de esperar ali no corredor, pois a equipe médica estava ocupada com outra cirurgia e assim que terminasse ele viria me chamar.
As 11:00h, o Zé apareceu novamente e me disse que a cirurgia ainda estava em andamento e que seria melhor eu voltar no dia seguinte.
Meio chateado e meio aliviado, fui para casa. Essa situação ocorreu por mais 3 vezes.
Então, certo de que os deuses não me queriam operado, comuniquei ao Zé a minha desistência e segui meu caminho.
Nunca mais tentei a referida cirurgia e nada de anormal me aconteceu por essa desistência.
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