O canto que nos encanta nas noites de Sampa

Outro dia mandei um texto falando sobre a emoção da música nos bares, inclusive de 2 que fecharam. Depois pensei que deveria complementar minha narrativa lembrando da riqueza de espetáculos que ocorrem nas noites de Sampa e das várias alternativas que existem, graças aos Sescs e outras entidades que oferecem preços mais populares.
Afinal, quem é que não gosta de ouvir uma música ao vivo? O carinho com que o artista escolhe o repertório, os músicos que o acompanham, a conversa com o público, o coro acompanhando as músicas mais conhecidas…
Infelizmente os shows nas grandes casas de espetáculo têm um custo muito caro: ingresso, estacionamento, para não falar das bebidas, porções… Mas não se pode esquecer dos shows alternativos que se pode ver em São Paulo. Para isto lá estão os Centro Culturais, os Sesc(s), etc. Vale a pena registrar quantos shows eu e meu marido vimos, por exemplo, no Sesc Pompéia, tanto no teatro quanto na Choperia. Excelentes e a preços bem populares, além de respeitar o direito da meia entrada para estudantes, terceira idade e aposentados de outras idades, como eu (atitude válida para qualquer Sesc). Martinho da Vila, Altamiro Carrilho, Zé Geraldo, Zé Renato, Jair Rodrigues – na choperia. José Miguel Wisnik, Zizi Possi, Verônica Sabino, Inezita Barroso – no teatro. No Sesc Vila Mariana vimos a peça contando a vida de Orlando Silva, excelente. No Sesc Pinheiros vimos uns 5 shows com Maria Martha, cantora que adoro e que conheci no querido Boca da Noite (que já não existe mais). Paulinho Nogueira e Duofel. Irmãs Galvão e Robertinho do Acordeon (falecido há pouco tempo). Jica e Turcão, Eduardo Gudin, José Miguel wisnik e Luiz Tati e muitos outros. Depois no novo Sesc Pinheiros, a exposição de Chico Buarque de Holanda, magnífica. Isto para não falar do Centro Cultural Vergueiro onde vimos Tarancon, Balét, Toninho Nascimento, além de peças teatrais.
O Teatro Popular do Sesi que antes era na Rua Major Diogo e agora está no prédio da Fiesp com peças de teatro gratuitas, sempre de boa qualidade. Quantas milhares de pessoas puderam prestigiar lá "O Poeta da Vila e seus Amores", com o sensacional Ewerton de Castro interpretando Noel Rosa?
Show de Lula Barbosa no bar do sindicato dos bancários. Chico Pinheiro (o jornalista da TV Globo) apresentando Dércio Marques, Paulinho Pedra Azul e João Bá, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo num show memorável com causos e muita poesia. Lindo.
Nós sabemos que no nosso país falta muito para melhorar a educação e o incentivo à cultura e que o digam os artistas que tentam viver de sua arte. Por isto é que precisamos parar para nos lembrarmos de todas essas iniciativas culturais que citei aqui e muitas outras que esqueci ou não pude conferir. É que costumamos reclamar e chorar as mágoas, mas às vezes não sabemos usufruir o que nos é oferecido. No caso da cidade de São Paulo a oferta é grande, porém nem sempre podemos aproveitar devido aos angustiantes empecilhos como: violência, flanelinhas, exorbitância no preço dos estacionamentos, etc, mas quando criamos coragem de ir e somos recompensados com a emoção, fica aquela pergunta: Já pensou se eu não tivesse ido? Se não tivesse vivido esse espetáculo?
Como no caso de um show, gratuito, com Claudete Soares cantando Taiguara, acompanhada por uma orquestra (se não me falha a memória) de violoncelos, no Memorial da América Latina. O filho de Taiguara na platéia, uma cantora emocionada colocando toda sua alma na música, a melodia da orquestra e eis que uma borboleta surge no palco bailando ao redor da música e de Claudete que, com um sorriso, somente apontava-a sem precisar dizer que era como a alma de Taiguara presente, dedilhando os acordes da emoção que tomou conta do espetáculo.
Coisas que, como se diz na propaganda: "Não têm preço"

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