Gente, o Ipiranga já encheu e continua enchendo….meu coração de saudade e alegria, oh! bairro bão!
Minha ligação com o Ipiranga começa por volta de 1918, quando meus pais, então com 3 anos, mudaram-se de Santana para o Ipiranga (eles eram primos, acho que é por isso que me "falta um parafuso").
O pai da minha mãe trabalhava na estrada de ferro SPR que depois virou E.F.Santos a Jundiaí. Seu local de trabalho era na estação Pari, mas minha mãe ainda bem criança tomava o trem na estação Ipiranga para levar a marmita para meu avô. Eu nasci em 1945 na Rua Silva Bueno, em casa, pelas mãos da D.Carolina (Parteira) e vivi lá praticamente até 1971, quando me casei, mas nunca cortei o Cordão Umbilical com o Ipiranga. Fui batizado na igreja São José do Ipiranga, estudei no G.E.Visconde de Itaúna, enfim sou ipiranguista de corpo, alma e coração. Apresentadas as credenciais, podem crer que tudo que eu escrever será a mais absoluta verdade, a minha verdade pelo menos.
Inicialmente, vamos esclarecer um ponto: O C.A.Ypiranga não tem esse nome por causa do bairro, o clube foi fundado em 1906 e somente vários anos depois mudou-se para o Ipiranga, aí sim os ipiranguistas o adotaram como o Time do bairro e ele virou o famoso "vovô da Colina Histórica".
Tremendo "bicho papão" dos grandes clubes e grande revelador de talentos como: Barbosa, Homero, Bibe, Rodrigues Tatú, Oswaldo Balisa, Rubens (o professor ou doutor Rubis), Zézinho e etc. Desse pessoal três merecem destaque especial: Barbosa, o maior injustiçado da copa de 50; Rubens, esse merecia um texto só para ele, pois além de jogar muito, aos 40 anos comandou, no campo, a subida da Prudentina para a divisão de elite do futebol paulista e nunca tocam no nome dele, que na minha opinião não devia nada para Zizinho, Ademir de Menezes e outros. Finalmente o Zézinho, este, pouquíssimas pessoas sabem de quem se trata. O Zézinho, era um atleta nato, ele ganhava todas as provas de pedestrianismo do bairro, salto em distância, salto triplo enfim todo esporte que se metia era campeão. Fomos criados juntos, pois tínhamos praticamente a mesma idade, éramos vizinhos e nos criamos no Parque Infantil D.Pedro, ali na Rua dos Sorocabanos. Quando havia jogo contra outro time e o nosso goleiro faltava, púnhamos o Zezinho no ataque no 1º tempo para fazer vários gols e no 2º ele pegava no gol para garantir o resultado. Lembro bem dele, era um mulato claro, filho de uma mulata com um português, "seu" Souza que tinha um bar na R.Almirante Lobo. O Zézinho chegou a jogar algumas vezes na ponta esquerda do Palmeiras, embora fosse Corinthiano com TH ou seja doente, só não se tornou um craque famoso porque um técnico inescrupuloso propôs que ele lhe desse as luvas do 1º contrato, como ele se negou o técnico fez o Palmeiras vendê-lo para um time de algum país da América do Sul, que na época não tinha tradição (Equador, Colombia etc) e que graças a jogadores como ele aprenderam e hoje dão trabalho ao Brasil. Cumpre esclarecer que quando o Ypiranga teve um grande time o "Trio de Ferro" (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) mandavam no futebol paulista, dizia-se até que o Campeonato Paulista era decidido da seguinte maneira: "Joga-se uma moeda para o ar, se der Cara é o Corinthians, se der Coroa o Palmeiras, se cair em pé o São Paulo e se não cair a Portuguesa!”
Comecei meus comentários sobre o Ipiranga pelo futebol, mas prometo que escreverei mais abordando os Bondes, os Cinemas, as Escolas, enfim o que a minha memória se recordar, pois….recordar é viver.
Igor, este texto é minha homenagem para você, outros virão.
Até breve.
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