Zeca Bem falando de animais de estimação – anos 70

Dizia meu avô que é muito comum as pessoas terem em casa alguns animais, tais como: cães; gatos; passarinhos; papagaios; coelhos; ratos brancos (hamster); maritacas; araras e outras variedades um tanto imagináveis.

Um dia chega em sua casa a esposa de seu sobrinho que morava em Rolandia – Paraná, que tinha um parente que residia próximo da Via Anchieta, precisamente no bairro Moinho Velho – Sacomã – SP, que a seu pedido foi levá-la e, chegando na casa do tal parente, ficou surpresa, isto porque tinha lá no seu pequeno quintal um filhote de jacaré, que ao chegar perto dele, o animal bufava. Dizia o tio dela que era seu animal de estimação.

Esse tipo de animal só tinha visto no zoo da Água Funda, enfim, era o animal de estimação do seu parente. Outras pessoas compram filhotes de coelhos e lebres, quando pequena é a diversão da gurizada, mas cresceu um pouco, aumenta o consumo de ração, não veem a hora de se livrarem deles.

Meu avô se lembrou de que um dos seus amigos trabalhou muitos anos numa ETA – Estação, Captação e Tratamento de Água, onde na calada da noite apareciam coelhos e lebres do nada, já de bom porte. Em outras ocasiões, isso de dia, vinham pessoas com tartarugas e pediam para soltar no lago, e em breve espaço de tempo já tinham dez animais da família dos quelônios (as tartarugas ou quelônios são répteis da ordem Testudinata, que se caracterizam por ter o corpo protegido por uma carapaça óssea. O grupo tem cerca de trezentas espécies e ocupa habitats diversificados, como oceanos, rios ou florestas tropicais. Tartaruga: designação genérica de todos répteis anfíbios – Wikipedia).

Um dos tratadores da estação encerrava seu turno, o substituto deu uma olhada no geral para ver se estava tudo certo, e ao passar próximo da bomba de captação vê uma vara de pescar. Por curiosidade dá um puxão, e percebe que algo foi fisgado, o que não dava pra saber, quem sabe seria uma tilápia, uma traíra, calculou que deveria pesar aproximadamente um quilo e meio, mas, ao levantar a vara de pescar, o que viu era uma tartaruga com um arame atravessado de um lado pro outro em sua goela.

Muitos pescadores usam um acessório antes do anzol para pescar, que é um arame com formato de mola, e justamente isso é o que estava atravessado na goela do animal. O tratador ficou apenado em ver a tartaruga com aquilo na goela, a pobre tartaruga mal respirava. Pegou ela pelo seu casco e levou-a para uma mesa e foi cortando partes do arame com um alicate, e num determinado momento a tartaruga sugou seu dedo minguinho, que foi encolhendo o pescoço e parte do dedo ficou entalada na boca dela. Logo sentiu uma fisgada, achando que tinha sido mordido por ela. Seria o anzol, mas nada disso, a tartaruga aparentemente parece não ter dentes, mas tem sim, uma espécie de serra dentro da boca, e foi isto que viu depois de sacar o dedo. Aliás, retirou o dedo com ajuda de outra pessoa, porque quando estava só não sabia o que fazer com o seu dedo entalado.

O tratador, com o seu dedo minguinho sangrando, sentindo dores, passa uma mensagem via rádio explicando o que tinha acontecido. Do outro lado, o receptor não entendeu bem a mensagem, e foi logo tirando sarro, dizendo que não sabia que o amigo tratador era especializado em domesticar tartarugas, e completou dizendo que ele era "Homem tartaruga".

Ele retrucou dizendo: Chame o bombeiro, resgate, qualquer coisa, está sangrando o meu dedo e preciso que façam um curativo.

Minutos depois vem o pessoal do resgate, fazem um pequeno curativo, e se encerra o caso. Dizia que seu amigo chorou muito, por sentir dores, entrou em pânico, afinal, que coisa absurda, mas aconteceu.

Por se tratar de um fato trágico e cômico, os colegas quando avistam o tratador vão logo dizendo que, na verdade, ele queria se aposentar mais cedo, talvez imitar alguém. Outros afirmavam que já foi esse tempo. Dependendo da atividade profissional, as empresas têm lá uma CIPA, fornecem todo equipamento de segurança, justamente para não se responsabilizar por esse e outros tipos de acidentes. Se o trabalhador perder algum membro do corpo é pura responsabilidade dele.

Enfim, sai mais em conta investir em segurança do que pagar qualquer tipo e indenização. Esse é o lema da atualidade.

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