Estou retornando de um período de merecidas férias, depois de vários anos colaborando "eficazmente", diga-se de passagem, para o sucesso desse já vitorioso site. Resolvi por conta própria tirar umas férias não remuneradas, então parei por algum tempo de enviar minhas costumeiras histórias.
Mas a saudades dos amigos e a louca vaidade, somados ao vício de ouvir os saldáveis e generosos comentários dos queridos leitores e companheiros, obrigaram-me a interromper o meu recesso e retornar rapidamente à minha função, que é a de continuar poluindo todos vocês com minhas histórias simples e nem sempre a gosto de todos. Nesse período estacionei a minha pessoa por alguns dias na casa de parentes em São Paulo e assim, por uma semana, andei passeando por minha (e nossa) São Paulo de graça, seja de ônibus, de trem, de metrô, como também de carro, levado por parentes ( que tiveram que me aguentar e sustentar por uma semana).
Com isso a minha economia financeira foi tão eficaz que eu estou pensando seriamente em pegar a esposa e ir viver por conta deles por seis meses ou mais. Estou só procurando saber se eles podem deduzir do Imposto de Renda o que gastaram comigo para, então, assumir essa ideia. O que vocês acham? (risos).
Andando por nossa cidade, bolei esse monólogo em homenagem a mesma.
Minha cidade de outrora
Ah!… Minha cidade de outrora
O tempo levou quase tudo embora
a velha Augusta, a Aurora e a Vitória
o velho Largo do Café
também o largo do Tesouro,
e os bondes da nossa São João.
Os belos cinemas desapareceram
Muitos então, viraram "igrejas".
Meu Deus como é grande a tristeza
que habita o meu coração.
Estou na Libero Badaró,
passei pela Barão de Itapetininga
e Antônio de Godoy .
Andei pela Santa Ifigênia
passei pela Av. Ipiranga
e até pela Senador Queiros.
Andei pela 25 de março
a procura de algo barato
e nem isso hoje em dia
a gente não encontra mais.
Andei até dizer chega
e se andasse só mais um pouco
teria chegado no Brás.
Voltei meio distraído
pensando um pouco na vida.
Olhei bem para o Mercadão
que há muito tempo eu não via.
Voltando passei pelo Arouche
que além de Largo, também é Rua.
Andei pela Vieira de Carvalho,
cheguei à Praça da Republica
e não contive a tentação
de dar uma chegadinha na Rua da Consolação
Olhei para o cemitério
e fiquei com o semblante sério
pensando nesse mistério
de quando se chega lá.
Te amo São Paulo de outrora,
mas eu te amo ainda mais
do jeito que estas agora.
Desci a Xavier de Toledo
depois da Ramos de Azevedo
e como já era noite,
cheguei morrendo de medo
na 24 de maio.
Atravessei o viaduto, que de Chá,
não tem nada, e na Praça do Patriarca
entrei pela Rua São Bento.
Saí na Antônio Prado,
e me vi outra vez na famosa Av. São João,
pertinho do Anhangabaú,
passei pelo lendário Martinelli,
pela Praça do Correio,
a caminho do Paissandu.
Fui até a Júlio Mesquita, onde nos anos 60
eu trabalhei no Teatro Natal,
foi até a Barão de Limeira
que há muitos anos eu não via
e nem por ali eu passava.
E como já era tarde
deixei o passado de lado
resolvi voltar para casa,
antes de ser assaltado.
Mas voltei pensando baixinho,
Ah!… Minha querida São Paulo
Aquela São Paulo de Outrora
Rua Augusta, Rua Vitória, e Aurora.
Como nosso tempo passou!
Por isso eu repito agora
Te amo São Paulo de Outrora,
mas eu te amo ainda mais
do jeitinho que estas agora.
E quanto mais você se ajeita e cresce
eu te amo ainda mais.