Você é meu grande e verdadeiro amor

No dia 7 de fevereiro de 1942, tive a honra de nascer na maternidade da Rua Frei Caneca, que felizmente tem o nome desta tão querida e amada cidade. Como és linda, meu amor!

Cresci e me criei na Vila Clementino, onde morava com aqueles que, na verdade, foram meus pais: o vovô Felicio e a vovó Lenia. Morávamos no nº. 1321 da Rua Borges Lagoa, encostado à Escola São Francisco de Assis. Foi lá que conheci minha primeira professora, a Irmã Lúcia – que freira linda! Quatro anos depois, em 1953, eu recebi o que na época chamava-se diploma do primário.

Todas aquelas paragens são parte integrante da memória dos contemporâneos que por lá também viveram.

Na Rua Napoleão de Barros, esquina com a Borges Lagoa, já existia o Hospital São Paulo, onde defronte passávamos quando íamos ao Liceu Pasteur, onde fizemos mais uma parte dos estudos: o ginasial.

O zelador da Escola Paulista de Medicina, provavelmente para nos assustar, lavava esqueletos, usados em aulas de anatomia, e depois os colocava para secar ao sol sobre o muro que dava para a calçada onde os transeuntes passavam, mesmo porque ao lado do hospital era o ponto terminal/inicial da linha dos ônibus 47 – Vila Clementino. Quero lembrar aos leitores que asfalto e iluminação das ruas não eram existentes no local. Era tudo muito bom mesmo assim.

De bicicleta andávamos em todos os lugares. Nossas brincadeiras eram sazonais: na estação seca jogávamos bolinhas de gude, peões, empinávamos "papagaios", castelinho com dois tacos e uma bolinha e um castelinho formado com três varetas, que o menino adversário tentava derrubar arremessando a bolinha, a qual o defensor, por meio de um golpe com o seu taco, protegendo o seu castelinho, arremessava para a maior distância possível.

Cresci, estudei, me formei, trabalhei, vivi e ainda vivo junto ao meu amor. Tenho muito a contar, sob outro título; contarei mais tarde.

e-mail do autor: [email protected]