De repente andando pela cidade
me encontro no Braz,
nesse meu querido bairro
guardado na memória,
procurando pelas pessoas e lugares
da minha infância perdida.
Onde foram aqueles cinemas
que faziam-nos felizes ao conhecer
tanto sonho e tanta realidade,
sempre lotados com pessoas
que muito contribuíram
para a formação do nosso caráter
e nos ensinaram com modos simples
que podemos ser felizes
com o pouco que temos,
ensinando que devemos ser humildes
para compreendermos o que nos cerca.
Onde foram os amigos que nos ensinaram
que devemos melhorar para podermos ajudar quem precisa e prestigiar nosso bairro para que saibam que São Paulo se fortalecia com a vontade de vencer de seus moradores.
Passeando pela rua da minha infância
lembrei-me da desapropriação das casas pelo metrô e achei o vão imenso onde um dia vivi.
Onde foram todas as casas e moradores,
as brincadeiras de infância,
todos aqueles bailinhos,
coração disparando a espera
de alguém que não iria chegar.
Chorei sem encontrar
aqueles dias de novo… Como?
Ria quando encontrei amigos
que misturavam português com calabrês,
misturados a outros dialetos também.
Vi o Pasquale com cesto recheado de “sfogliatelli”, vi o Getúlio com seu carrinho vendendo sorvete, vi o José com suas cabras vendendo leite, vi o Fiore e a Dona Pina, donos da Confeitaria Guarani, vi a Dolores vendendo churro por metro na Caetano Pinto…
Toda vez que vou ao Braz volto perdida,
porque lá é meu porto é meu lugar no mundo em um bairro aberto com caráter e alma.
Senti muitas felicidades neste dia.
reconfortada de poder rever
tantas pessoas na minha imaginação.