Quinta-feira, 7 de abril de 2005, estou em Capivari (SP), hora do almoço, vim ate o centro e aproveitei para comprar um jornal e me colocar à par das ocorrências do mundo e de São Paulo, já que faz um bom tempinho que não leio um noticiário. Compro o "Diário de São Paulo", começo a ler, como sempre o caderno de esportes, depois o caderno de variedades, depois o caderno de economia e, por fim, já quase desinteressado pela leitura, o caderno A.
Folheio a pagina A1, nada de interessante, a pagina A2 está no mesmo diapasão, resolvo enfrentar a pagina A3, a manchete me prende a atenção, em letras destacadas leio "Praça Roosevelt será reformada e a estrutura superior demolida". Imediatamente uma nuvem branca se forma ante meus olhos e eles, sem qualquer dissimulação me arremetem ao passado.
Em fração de segundos estou revendo a Praça Franklin Roosevelt, no principio dos anos anos 50, quando já éramos íntimos. Vejo aquele vasto terreno, totalmente de terra, sem gramas nem calçadas, pronto para receber os Circos que visitam a provincial cidade de São Paulo. Eu morador residente à Rua Augusta 291, sou velho conhecido desse imóvel pertencente à Prefeitura do Município de São Paulo, já vi circos, já sofri um acidente quando, para ganhar um ingresso gratuito do circo, depois de dar de beber a um par de pôneis, levando-os para a barraca dos cavalos para serem escovados, me descuido e passo diante das jaulas dos leões que, mesmo já alimentados soltam um vigoroso urro, assustam os pôneis que, por sua vez, saem em tresloucado galope arrastando por aquele chão de terra batida, o coitado do moleque que lhes havia matado a sede.
Resultado, uma calça totalmente rasgada, dois joelhos em carne viva, uma surra bem aplicada por uma mãe aflita. O "astro" desse causo, não era ninguém mais do que este que hoje escreve este lance de memória viva…