Viva o Dia dos Pais!
(A você que hoje é pai, para rir, emocionar e também te homenagear.)
Perdi meu pai muito cedo, ele morreu em junho de 1945 às 04h de la matina (cedinho, né?). Na época eu tinha apenas seis anos e meio.
Naquele tempo, os pais ainda não possuíam um dia somente dele, o dia dos pais era mesmo todos os dias do ano.
Meu nome, Arthur, eu herdei de meu pai que também era Arthur e graças a esse fato, até hoje lá em casa eu sou simplesmente Tutu.
Meu pai já era escolado na arte de ser papai, pois o mesmo já era viúvo com sessenta anos nas costas e possuía seis filhos ao se casar com mamãe.
E, então, já meio cansado, ou então já aposentado, querendo apenas dormir ao lado de minha mãe, que tinha só vinte e sete anos e ainda não estava muito madura, produziu só mais três filhos dos quais eu sou o caçula.
Às vezes me lembro dele passeando e me dando sua mão e, assim, de mãozinhas dadas, fazíamos as caminhadas pelas ruas da Freguesia.
Meu pai era marceneiro, pedreiro, eletricista, encanador, fazia de tudo um pouco e era um grande artista como encardenador, profissão que exerceu com arte e nela se aposentou.
Infelizmente com meu pai muito pouco convivi, só sei que ele era bom, carinhoso, culto, educado, não dizia palavrão, não tinha vício algum, e sua única fraqueza, digo aqui com toda a franqueza, era tomar como aperitivo um cálice de boa pinga antes do almoço à mesa.
E assim, em 1945, quase ao final da Segunda Guerra, meu pai se foi dessa terra aos setenta e sete anos.
Pouco com ele eu vivi, mas muito com ele aprendi.
E assim, paizinho querido, que de minha memória não sai, presto-lhe essa homenagem nesse dia de todos os Pais.
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