Moro num bairro onde o vento uiva. Quando chove, formam-se cachoeiras nas sarjetas. O lusco-fusco, em contrapartida, é multicolorido. No finzinho, o Sol vai derretendo naquele alaranjado aconchegante e a abóbada estrelada abriga a Lua. Mas não é qualquer Lua. É uma que eu miro da janela do quarto enquanto duas moças namoram no vão do MASP. A que ilumina as próximas horas boêmias dos artistas da Praça Roosevelt ou o caminho do Zé, que recolheu seus retratos na Saúde e volta pra casa em Americanópolis. Eu não sei onde você mora… São Paulo é muito grande! A gente nasce aqui e precisa de mapa pra se achar… Circulo entre as estacas de concreto, estas que você vê na Avenida Paulista, edifícios sonâmbulos às cinco da manhã. Gosto de andar à noite, gosto do frio da madrugada e do quase silêncio. Do farfalhar intermitente das folhas. Da solidão notívaga. Quando eu for pra lá do limite dessa loucura, me instalar numa casinha simples no interior, só tenho um desejo: quando abrir a janela, quero vista pra Sampa.
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