Vila Progredior – Uma história que vivi

Cheguei ao Brasil em 1954, vindo de Portugal, com dezoito meses, fui morar no bairro de Vila Diva lá para os lados de Sapopemba. Minha família mudou-se para o Caxingui, mais especificamente Vila Progredior, quando eu tinha seis anos. Fui morar numa chácara no fim da Rua Julieta, hoje Rua Armando Lombardi. Essa chácara pertencia ao Sr. Luiz, que era dono da Padaria São José, perto do Jockey Club.

Da Rua Julieta mudei para a Rua Alzira e outras ruas do bairro.

Tive a melhor infância do mundo, numa época em que as mães mandavam os filhos brincarem na rua (tão diferente de hoje), empinar pipa, rodar pião, brincar de esconde-esconde, pular cela, jogar lata, brincava muito nos rios do bairro, de tão limpa a água até dava para beber.

Tem um rio na Avenida Jorge João Saad que passa embaixo do Estádio do Morumbi, lembro que entrávamos no rio, passávamos por baixo do campo do São Paulo e saíamos do outro lado, onde hoje é o clube.

Na época da Revolução de 1964, o Exército ia praticar manobras perto do estádio, onde não existiam casas na época.

Minhas irmãs e meu irmão trabalharam na Indústria de Roupas Regência, e, de acordo com minha irmã Ana, as camisas da Seleção Brasileira eram feitas ali.

O bairro tinha o nome da família dos fundadores do bairro.

Rua Progredior, Rua dos Três Irmãos (a única que ficou), Rua Alzira, Rua Alice, Rua Julieta e outras das quais já não me recordo, porque simplesmente mudaram os seus nomes, para outros que fizeram com que o bairro perdesse a sua história.

Mudei em 1975 para o bairro do Itaim Bibi, voltei ao bairro em 1993. Moro hoje onde era a Granja, os antigos devem se lembrar, é um bairro ainda tranquilo com um certo ar de interior.

Bom de morar, bom de viver.

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