Vila Primavera, no Sapuca!

Nasci no Hospital e Maternidade do Belém, hoje com outro nome e outra administração – era 1969. Nessa época, "morávamos" no Sapopemba (mesmo antes de ter nascido eu já morava, né?), por isso digo que sou sapopembense de "nascimento" (o Belém foi uma casualidade – casualidade até que feliz, porque gosto daquelas bandas também).

Vivo até hoje no mesmo bairro.

Lembro que, de pequeno, a maioria das ruas eram de terra, onde corríamos sem nos preocuparmos com carros. A minha rua, a Roland Rittmeister, que tinha designação de número nos seus primórdios, não tinha asfalto, nem rede de água nem rede de esgoto, então formava um lamaçal no começo que nem dava pra entrar carro, às vezes. O caminhão que traria areia e tijolo para começar a construir a minha casa teve que descarregar no começo da rua…

Havia muitos terrenos baldios; depois de construída a casa e nós morando (porque, até então, morávamos num cômodo na casa dos meus avós paternos – e lembro bem dos quebra-paus da minha avó Antônia com minha mãe!), eu e os colegas podíamos nos dar ao luxo de ter o bairro todo como quintal!

Vila Primavera… esse é o pedacinho do Sapopemba onde cresci! Surgiu com o nome de Chácara Suíça que depois mudou para Vila Nova Leipzig. Descobri isto por acaso, lendo a escritura do terreno onde moravam aqueles meus avós, em que constavam estes nomes antigos, e acho que eram nomes de origem germânica, porque fica ali, pertinho da Vila Ema, que surgiu como parcelamento de terras maiores que eram da família Nothmann. Então, a região ganhou muitos pedaços com nomes assim, de origem alemã.

Nos terrenos baldios, a gente corria, brincava de esconde-esconde, eu caçava grilos e borboletas, adorava mexer com estes bichinhos!

Estudei no Mélega (EMPG Prof. Henrique Mélega), que fica a umas sete quadras da minha casa. Hoje a gente lembra que, naquele tempo, a escola pública valia a pena. Era cercada por mato e tinha um córrego que passava por trás e hoje é uma galeria cheia de esgoto, com uma favela por cima. Tinha uma mina d'água um pouco mais acima, que ajudava a formar o córrego e de onde saía uma água cristaliiiiina…

As festa juninas da escola eram 10! Valiam a pena! E quantas excursões nós fizemos: Parque do Carmo (naquele tempo era longe), SESC Interlagos, Teatro Municipal, a famosa visita à fábrica da Coca, que todo mundo deve ter feito! E o Playcenter, quantas vezes!!! Tinha também pro Domingo no Parque, mas nessas eu nunca fui. E foram ao Bozo também, mas não fui. Tinha concurso de fanfarra e a escola participou nos anos 70, depois parou; lembro que desfilamos quando foi inaugurado o primeiro trecho da Avenida Anhaia Melo.

Lembro com mutííííssima saudade que eu ia pra casa de uma das minhas tias maternas (a primeira que casou) do outro lado da vila, mais perto do centro do Sapopemba, passando em frente a um terreno remanescente das antigas chácaras que deram origem ao bairro. Tinha uma cerca de arame farpado, com árvores ao longo e eu podia ver as vacas e ouvir seus mugidos; tinha medo que elas escapassem; era da família dos Pedroso.

Lembro que na vizinha Vila Belém, houve uma escola particular em cima da padaria, onde estudei por uns dois meses até completar sete anos e depois mudar para o Mélega, onde minha mãe trabalhava (naquele tempo, só entrava na escola com sete anos completos). Fechou algum tempo depois.

Lembro que havia a vala da adutora do Rio Claro, que tinha uma ponte de ferro e madeira para atravessar do Primavera à Vila Belém e que depois foi aterrada e hoje é um parque linear.

Quantas brincadeiras, quanta liberdade, quanta pobreza sem miséria, quanta felicidade.

Que pena não poder compartilhar com todos todas aquelas lembranças, porque o sentimento, quem sente mesmo foi quem viveu, não é verdade? Mas eu divido com vocês a felicidade que tudo aquilo me deu.

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