Sobre a cidade de São Paulo, para todos os que amam essa cidade. Tem muito haver com o momento do encontro ou do reencontro de cada um.
Anos atrás quando por aí me embrenhei, vivi a cidade como um conquistador silencioso. Chegara e a cidade estava aí viva e feroz, amedrontava pelo tamanho e a falta de estrutura para combatê-la. Daí que no período de descanso nos finais de semana, relaxados a gente percorria pelo Centro Velho, histórico, hoje um tanto quanto desprezado. Mas naquela época a vida circulava por todas as veias do corpo e do coração.
Era o horário de trabalho, os intervalos para almoço e a noite para descansar. Viver em uma cidade grande implica em locomoção: através do Metrô, trem ou ônibus de circulação, ou por automóvel próprio, ou ainda por lotações irregulares muitas das vezes.
Lembro que na Praça Paissandu, ao lado da Avenida São João, tinha a curiosidade de ver, havia pessoas negociando com o motorista na hora da lotação. Era pegar ou largar, jogo rápido. Nessa hora a imprudência não entrava muito em jogo e sim a rapidez do transporte.
Eu não tive a necessidade ou oportunidade de transitar por esses veículos utilitários, em geral as famosas Kombi, não existiam modelos como Van ou os demais utilitários de transporte a passeio como os micro-ônibus. Esses vieram depois.
Em dias de jogos pelo campeonato paulista de Futebol. Jogos realizados no Pacaembu havia também essa oferta de condução para os jogos disputados. Nem assim me valia deles. Não sei por que prefiro chegar mais tarde, mas em segurança.
Lembro-me de um dia em que fui ao Estádio Paulo de Carvalho, assistir a um jogo de futebol dos times maiores: Palmeiras, Santos, Corinthians, Portuguesa de Desportos, Juventus, Portuguesa Santista, etc…
O São Paulo muito tempo depois é que foi considerado grande. Os são-paulinos não devem ficar gostando dessa observação anti-tricolor, mas não é para desprestigiar ao Clube, e sim para testemunhar a minha observação com relação aos chamados times grandes.
Informado das linhas de ônibus que para o Estádio iria, ou próximo dele, embarquei. Ao chegar ao ponto mais próximo com o auxílio do cobrador, desembarquei. O Jogo era à noite, por volta das 21h30. Não é como hoje, que a pessoa sabe que começa, após o término da novela. Essa superioridade em ter o direito de transmissão veio depois.
Desembarquei. E não precisei mais de ninguém para chegar ao Estádio. Os grupos de pessoas, às pressas se encaminhavam para o local do jogo e só tinha que acompanhá-las. Era uma atração ver jogos do campeonato. A gente levava consigo a informação do rádio e dos jornais, informando-nos da situação de cada clube e a sua posição na tabela.
A mídia também fazia muito jogo de atração, convertendo a partida nos famosos chavões e tabus! Fazia 20 anos que o Corinthians não ganhava um título e seu arqui rival o Santos F.C., do Pelé, era sempre um dos motivos que impediam-no. Nesse jogo que assisti, a memória não lembra bem, mas estava no Pacaembu quando o Corinthians milagrosamente ganhou do Santos por 2×0, com gols de um Ponta direita Paulo Borges recém contratado junto ao Botafogo do RJ.
Preocupação após o jogo. Voltar para casa. Bom em São Paulo toda diversão implica em um sacrifício. A volta? Passavam da meia-noite quando cansados íamos dormir logo, pois ao clarear o dia a batalha recomeçaria. Convenhamos que morar, sem ter uma boa estrutura, em São Paulo é bastante difícil.
Tanto é que muitos moradores preferem deixar a cidade e viver em outras cidades menores, para ter o custo benefício mais atraente. Podem ganhar menos, porém ter mais tempo para ficar próximo da família e se locomover com mais tranquilidade, mas isso já é outra história.
Meu texto serve apenas para recordar o modo como eu via esse Monstro de cidade chamada São Paulo. Nada contra. Valeu a experiência e a riqueza dos essenciais fundamentos para se viver bem.
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