Vicente, Jânio e Rui

Dentre algumas expressões que li neste site, como hipocorístico, antropônimo, onomatopéia, alfarrábios e outros, lembrei-me de frases e casos pitorescos, de não menos pitorescos personagens, por exemplo o folclórico presidente (e competente) do Corinthians, Vicente Mateus, quando chamava o Biro-Biro de lero-lero ou quando numa festa no Parque São Jorge, o visionário presidente ao agradeceu a Antarctica pelas Braminhas ofertadas.
As frases de Jânio que antes de ser Presidente, foi nosso Prefeito e Governador, depois Prefeito novamente com o cuidado de desinfectar a cadeira onde o professor havia sentado, com o famoso "fi-lo por que qui-lo" ou quando uma repórter indagou porque ele bebia: "bebo porque é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia".
Tem uma estória do Rui Barbosa; o Águia de Háia, que ao chegar em casa, ouviu um barulho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
– Oh, bucéfalo anacrônico! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da sua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão confuso disse:
– Doutor, eu levo ou deixo os patos?

e-mail do autor: [email protected]