Morava no bairro da Penha desde sempre e trabalhava na Avenida Angélica, onde conheci o Igor, uma pessoa excepcional e que até me levou a pensar em casamento!
Quase no final da década de 70 começamos a sair, a namorar, noivamos e nos casamos, tudo em menos de dois anos de relacionamento! Segundo a opinião geral, era tudo muito precoce, sem chance de dar certo! Quando fomos levar os convites, chegamos a ler, no semblante de algumas pessoas, a clara desconfiança de que deveríamos ter um motivo muito forte para um casamento tão apressado! Nós dois só ríamos disso, pois não tinha nada a ver…
Devido a tão pouco tempo de preparação, foi uma correria daquelas! Algumas das nossas opções deixaram nossas famílias em polvorosa! Resolvemos que não faríamos festa (foi um choque geral! Meus irmãos queriam fazer uma comemoração de qualquer jeito!). Eu explico: não tínhamos recursos para uma boa festa e para fazermos algo de que sairiam falando, que não fosse algo a altura, achamos por bem não fazer nada! Eu não suporto tirar fotografia, portanto, não queria fazer álbum de casamento (foi outro auê e por fim, minha irmã me convenceu, pelo que hoje lhe sou grata); não queria casar de noiva (foi um tumulto maior ainda!) Não pensem que não sou romântica, sou até demais! Mas não sou muito chegada a certas convenções, a fazer algo só para satisfazer a opinião pública (o Igor também), mas capitulei, pois começaram a dizer que se não fizéssemos tudo nos conformes, o desgosto faria a doença da mamãe se agravar (ela tinha Alzheimer). Para o bem de todos, apesar da minha natural rebeldia, resolvi aceitar tudo, menos a festa!
Tentaram de tudo: uma amiga nossa, boleira, disse que levaria o bolo e o champanhe na porta da igreja para servir aos convidados, caso não aceitássemos por bem! Fomos irredutíveis! Ou faríamos uma festa digna, à altura dos convidados ou então não faríamos nada! Com muita dificuldade, concordaram. Faltava ainda providenciar o vestido de noiva e não tive dúvidas: convidei o Igor, meu noivo, para me ajudar na escolha! Vimos vários (na Rua Padre João, que tinha umas lojas de vestidos de noiva muito bonitas) e escolhemos um modelo lindo, simples, muito suave e romântico!
Ninguém acreditava que eu havia feito isso: deixar o noivo me ver com o vestido antes do casamento e, pior, ele ter palpitado na escolha! Existe a superstição de que se o noivo ver sua prometida vestida de noiva antes da cerimônia, o casamento não dará certo! Nunca fui de dar muita importância à superstições, a esse tipo de coisa, então, não liguei. Casamo-nos na Igreja Nossa Senhora de Fátima e São João Batista, na Penha, em dez de outubro de 1981.
Derrubamos um mito: Em outubro próximo comemoraremos 32 anos de um feliz casamento, sempre pautado em muito amor, respeito, carinho, solidariedade, amizade e cumplicidade! Vocês podem até – a esta altura do meu relato – considerar que eu seja uma pessoa sempre disposta a brigar, a contestar ou a "causar", como dizem os jovens! Mas, garanto, não sou assim! Sou alguém que gosta de agir de acordo com seus pensamentos, suas convicções, sem necessariamente agredir ou ferir a ordem natural das coisas.
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