Por volta de 1953, meu pai saía aos sábados comigo para passear.
Nasci na Lapa, mas aos 8 meses fixamos residência em São Bernardo do Campo.
Era a caçula, mulher paparicada por 4 irmãos! Meu pai me chamava de princesa, e me tratava como tal. Era vaidosa, mimada e feliz. Ele me levava aos locais que eu adorava, mas que ficam nublados na minha memória. O “Restaurante do Papai”, a Rua 25 de Março, o Parque D. Pedro, o Circo “Shangai” e tantos outros locais.
Haviam também os desfiles infantis. Um dia houve um grande desfile infanto juvenil no “Mappin Magazine”, que eu assisti atentamente até que um vestido branco, longo, de renda francesa, me tirou o fôlego e, baixinho, falei ao ouvido do meu pai:
-“Compra para mim”?
E recebi a seguinte resposta dele:
– “Ok, espere terminar o desfile”.
Terminado o desfile nos dirigimos à seção infantil (eu só tinha 5 anos) e a vendedora despencou dezenas de vestidos brancos para que eu pudesse encontrar o vestido que havia visto e eu apenas acenava com a cabeça negativamente e dizia:
“-” Eu quero aquele vestido branco do desfile, só aquele!”
Fiquei horas diante de um balcão de onde só podia enxergar a vitrine na parte baixa e meu pai falava com o gerente e um monte de gente andava para todos os lados. Até que o meu pai me explicou:
– “Esse vestido veio da França e não esta a venda. Só tem ele.”
Então olhei nos olhos do meu adorado pai e, calmamente, disse:
-“Por favor, pai, eu quero esse vestido, nenhum outro.”
Novamente o vai e vem tomou conta da loja e depois de muito tempo à balconista abriu uma caixa enorme, com um vestido branco de renda francesa, e me perguntou:
– “É esse?”
E eu respondi:
-“É esse!”
Ele deve ter gastado uma fortuna, mas meu pai e a princesa saíram felizes para pegar o “Expresso São Bernardo” no Parque D. Pedro. Aquela caixa tinha um tesouro, que era o amor de um pai por sua filha.
Moro a quase 10 anos nos Estados Unidos e o vestido, hoje amarelado pelo tempo e sem a caixa, faz parte do meu “Baú de Memórias”!
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