Em 1955 eu estudava no Liceu Coração de Jesus. Organizou-se uma excursão para conhecermos a Siderúrgica de Volta Redonda, criada por Getúlio Vargas (1941) e inaugurada no governo Dutra (1946). Ônibus lotado, lá fomos nós. A viagem decorreu sem incidentes.
Entusiasmava-nos com as novidades que o roteiro oferecia: rios, pontes, belas paisagens tudo era motivo de alegria. Já em Volta Redonda, comandados pelo Professor Feltre, fomos conhecer a Siderúrgica, que se tornara um orgulho dos brasileiros.
Acompanhamos o processo de produção dos laminados de aço a quente utilizados na indústria, na construção civil, em tubos, vasilhames, e mais tarde, na indústria automobilística implantada por Juscelino Kubitschek. De fato era um espetáculo ver a habilidade dos operários num trabalho que exigia atenção e destreza.
Missão cumprida, o longo caminho da volta. Exaustos e sonolentos, todos se acomodaram da melhor maneira possível e o silêncio da volta contrastava com a algazarra da vinda.
A viagem transcorria calma quando, nas proximidades de Agulhas Negras, onde se situa a famosa Academia Militar, algo inesperado deixou alarmados os jovens passageiros. Grande número de soldados armados na pista, jipes, tanques e viaturas militares se moviam nervosamente, em verdadeira manobra de guerra, tirando-nos a calma e a tranquilidade. A partir daí em grande extensão da Via Dutra a cena se repetiria e acendia-se a nossa curiosidade. Tudo indicava que alguma coisa grave se passava no país. E não dispúnhamos de nenhuma informação. Era dia 11 de novembro de 1955.
Chegando a São Paulo, soubemos pelos meios de comunicação que alguns partidos de oposição e militares insatisfeitos tramavam um golpe nas instituições para impedir a posse de Juscelino Kubitschek e, sobretudo, de Jango Goulart.
O general Teixeira Lott, Ministro da Guerra, reagiu imediatamente e num contragolpe fulminante, garantiu a posse dos eleitos e a democracia saiu fortalecida. Naquele dia, sem que soubéssemos, fomos testemunhas de um episódio histórico de grande significado para o país.
JK fez uma administração ousada e foi, seguramente, um presidente eficiente, simpático e bastante estimado pelo povo brasileiro.
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