Nasci sentindo o cheiro dos peixes do Mercadão e do esgoto jogado no Tamanduateí. Cheia de 66, com meu saudoso e forte pai, resgatando vítimas da enchente, alojadas nas caçambas de lixo em frente ao Treme-Treme (prédio vizinho do velho edifício Mercúrio, onde ficava a rádio Cometa e por onde passava, dentre outras estrelas, a simpatia de Jamelão), reduto de histórias escabrosas e pouco edificantes.
Cresci e aprendi a ler e escrever no Alfredo Pucca, Romão Puigari, Prudente de Moraes e Estadual de São Paulo. Olho pra trás e constato que alguns colegas da época também trilharam os caminhos do jornalismo. Luiz Dalcin, Acquiles Pantazoupoulos, Marta Cavallini são alguns que se tornaram – longe – colegas de ofício.
Hoje quando volto ao Brás sinto tédio, saudade, melancolia e tristeza. Engarrafamentos, prédios antigos e vistosos, aliados à pobreza e violência, tiraram o charme do bairro. A mistura alegre de nordestinos e italianos, atualmente, foi substituída pelas gangues e turmas noturnas que morrem e matam por pedras que não rolam e só criam gente sem eira nem beira.
Brás, da festa de São Luca. Brás, das porpetas da nona querida. Brás, do futebol moleque do Estrelinha. Brás, onde mora parte do meu coração e toda minha juventude. Te amo.
e-mail do autor: [email protected]