Vamos de táxi?

Na década de 70 foi inaugurado o ponto de táxi Santa Cruz, que fica na rua com o mesmo nome, em frente ao Hospital Santa Cruz, e lá se vão 41 anos de atendimento aos pacientes e acompanhantes que se utilizam dos serviços desses taxistas tão especiais. Trata-se de uma "quase família", pudera, depois de tantos anos no mesmo local os então jovens, e agora jovens senhores, sustentaram e ainda sustentam suas famílias, todos com muita cordialidade, seriedade e responsabilidade fazendo desse ponto uma grande alegria.

Meu pai, que trabalhava nessa época na Folha de São Paulo lá na Rua Barão de Limeira, não deixava de pegar os táxis desse ponto com os senhores Mauro, Carlão, Hiroshi e Sr. Walter (já falecido) e eu, posteriormente, me tornei uma passageira diária desse ponto. Atualmente, além do Carlão e do Mauro trabalham lá: Toninho (Bacalhau), Antônio (Sem Terra), os irmãos Sergio e Silvio, Cesar, Nilton, Romildo, Antônio e seu filho Junior, temos também o Edson (Soneca), Pinheiro, Elias, Oswaldo, Jorge, Fernando, Rodrigo, Alberto, Nilo e Tadeu.

Esses rapazes, à primeira vista, são todos iguais, mas como meu pai e eu utilizávamos diariamente o serviço deles passamos a conhecê-los mais profundamente, isto é, seus sonhos, seus planos de futuro e principalmente a preocupação maior com a educação dos filhos e o sustento da família. Lembro-me de um deles que chamei, era seu primeiro dia como taxista e que azar: nem bem ligou o carro foi batido por outro. Ele ficou tão desolado e trêmulo que fiquei com ele até chegar ajuda e outro táxi para me levar.

Todos os dias tinham histórias para contar e de nossa parte também. Dias mais alegres, outros nem tanto, mas sempre com muito respeito e educação, muito diferente dos taxistas do século passado que eram sisudos e de poucas ou de nenhuma palavra. Felizmente tudo mudou para melhor, hoje o taxímetro é moderno e não aquele “Capelinha” horroroso de antigamente. Os carros utilizados atualmente são muito mais confortáveis e tem até carro com ar-condicionado, revistas e som.

Os taxistas de hoje são politizados, inteligentes e sabem perfeitamente aonde se encaixam nessa louca e linda cidade de São Paulo e importância de seu papel na sociedade como um todo. Como a Lei Seca está aí, por favor, se for beber não dirija – chame um táxi, é mais seguro! Homenagem a esses trabalhadores que, de sol a sol, lutam pelo pão de cada dia com dignidade e honradez.

Roseli Tadeu Nabarrete – Moradora do bairro de Vila Mariana.

E-mail: [email protected]