Sexta feira, pp. faleceu a professora Maria de Lourdes Poter da ECA-USP.
Minha professora de artes e comunicação onde eu, como aluno da terceira idade e os rapazes e moças faziam pós graduação ou especialização. Estávamos acostumados com aquela professora de estatura baixa, voz rouca (cigarro), cabelo loiro curto, que era uma sósia de Nair Belo. Era assim que a chamávamos. Sem ela saber, é lógico.
Uma grande professora. Enérgica. Dura com aqueles que desrespeitavam as normas da escola. Aqueles que bebiam e assistiam às aulas com pé redondo.
Era muito dura nas observações. Nos debates ela deixava a coisa ir longe, depois entrava e discutia forte.
Quando debatíamos o problema do mensalão, em que deputados e a turminha do PT se meteu, bati de frente com ela. Foi uma discussão forte que assustou a rapaziada e moçoilas da classe bastante numerosa.
Ela ridicularizou a esposa do Marcos Valério, que tinha sido vítima do brilhareco do deputado Faria de Sá. Intervi, dizendo que o deputado não deveria ter feito aquilo desrespeitando uma mulher.
Ela ironicamente perguntou: Você ficou com dó da mulher de um salafrário?
Respondi a altura, dizendo da figura da mulher como um ser humano, sim!
E aí quando a coisa ficou bastante áspera. Disse ela: O deputado não é flor que se cheire, e gosta de fazer esses brilharecos, ai a coisa parou, porque não sentiu respaldo para dizer ao contrário.
Ela ficou muito brava e não olhou muito para mim, a não ser com o “rabo do olho”, até o final do semestre.
Gostava dela pelo fato de ser assim. Discutia forte, olhando nos olhos da gente. A USP perdeu uma grande professora, autora de muitos livros.
Era versada em análises das novelas da televisão.
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